Jonathan
Amos
Cientistas
querem criar um enorme catálogo de toda a vida
existente na Terra, estabelecendo "códigos
de barra" para cada espécie – do menor plâncton
à gigantesca baleia azul.

A idéia foi lançada em Londres na Conferência
Internacional para Codificação em Barras
da Vida.
A etapa inicial prevê a catalogação
de todos os tipos de peixe conhecidos – atualmente 15
mil que vivem no mar e 8 mil em água doce. O grupo
seguinte deverá ser o dos pássaros.
Para tanto, os cientistas vão registrar detalhes
da composição genética dos seres
que podem ser usados para diferenciar uma espécie
da outra.
Os pesquisadores admitem que deverão demorar anos
para completar o projeto.
"Cerca de 1,7 milhões de espécies são
conhecidas – nós suspeitamos que existam algo entre
dez milhões e 30 milhões de espécies
na Terra", afirma o diretor do Museu de História
Natural de Londres, Richard Lane.
"Nós descobrimos que é bastante possível
haver uma pequena sequência de DNA que caracteriza
vários tipos de vida no planeta."
Código de barra
Vários representantes de uma mesma espécie
serão analisados para que os pesquisadores possam
extrair a sua informação genética
"em código de barras". Cada um desses
testes deverá custar uma libra esterlina (ou cerca
de R$ 4).
O passo seguinte será colocar todos os dados colocados
em um grande banco de dados que o Consórcio para
a Codifição em Barra da Vida (CBOL, na sigla
em inglês) espera poder ser usado em combinação
com todo o conhecimento científico acumulado.
O consórcio reúne uma série de museus,
zoológicos, instituições de pesquisa
e empresas envolvidas com taxonomia e biodiversidade.
"É como um policial que vê um carro
infringindo a lei e tudo o que ele tem é o número
da placa, mas com esse número ele sabe quem é
o proprietário e a data em que o carro foi comprado",
explica o professor da Universidade de Pensilvânia
Dan Janzen.
"Um código de barras é isso – é
o que liga você ao corpo de informações
que os taxonomistas (especialistas na classificação
dos organismos), os historiadores naturais e os ecologistas
vêm acumulando nos últimos 200 anos."
Os códigos de barras de DNA em princípio
facilitariam o reconhecimento de espécies em campo,
especialmente em casos em que os métodos tradicionais
de identificação não são nada
práticos. Além disso, o processo seria mais
confiável, principalmente para leigos.
O simples saber da existência de todas as espécies
que existem no planeta nos ajudaria a responder questões
fundamentais sobre a evolução e a ecologia.
Com essa informação, poderíamos ter
melhores políticas para gerir e conservar o mundo
à nossa volta.
O segmento de DNA a ser usado no projeto é encontrado
num gene conhecido como citocroma c oxidase I ou COI.
O gene está envolvido na metabolização
de todas as criaturas mas é codificado de formas
ligeiramente diferentes de espécie para espécie.
Nos seres humanos, os códigos de barra diferem
de um indíviduo para outro por apenas uma ou duas
"letras" no DNA – a sequência do código
genético é composta por 648 "letras".
Em relação aos chimpanzés, nós
nos diferenciamos em 60 pontos da sequência e em
relação aos gorilas, em 70.
Depois dos peixes e dos pássaros, grupo que abrange
mais 10 mil espécies, os cientistas pretendem "etiquetar"
geneticamente as cerca de 8 mil plantas existentes na
Costa Rica.
Críticas
A catalogação por código de barras
é recebida com resistência com parte da comunidade
científica.
Alguns pesquisadores temem a perda do conhecimento de
métodos tradicionais de identificação
e questionam a credibilidade do novo sistema.
O especialista em borboletas da University College de
Londres James Mallet apóia o projeto, mas questiona
o conceito de código de barras, que considera inadequado
para espécies novas ou híbridas.
"Eu só gostaria que (o projeto) não
fosse chamado de código de barra porque isso implica
que as coisas são idênticas – é assim
que você um produto."
"Isso não é verdade no DNA mitocondrial
e, num contexto evolutivo onde as espécies se desdobram
em outras, isso é muito mais complicado."
Segundo Mallet, quanto mais próximas duas espécies
são, mais informações você
precisa para diferenciá-las.
FONTE:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/02/050210_barcodecg.shtml