Para
o Greenpeace, essa é uma vitória na direção
da eliminação da produção
e uso de substâncias químicas perigosas em
produtos de consumo
A
empresa de produtos eletrônicos Samsung decidiu
eliminar gradualmente o uso de substâncias químicas
perigosas dos seus produtos em todo o mundo. São
compostos tóxicos, persistentes (suas moléculas
são degradadas com dificuldade e lentidão)
e que se acumulam no corpo humano e de animais (bio-acumulativas).
A decisão da empresa foi provocada pelo trabalho
do Greenpeace, que recentemente analisou um aparelho celular
e um televisor fabricados pela Samsung na Europa e detectou
a presença de diversas substâncias tóxicas.
Na pesquisa, que também foi feita em produtos de
outros fabricantes, foram encontrados ftalatos, retardadores
de chama bromados, aromas sintéticos, alquilfenóis
e organoestânicos [1].
“A
Samsung está sendo o marco inicial na tendência
promovida pelo Greenpeace, de substituição
de compostos perigosos usados em produtos de consumo”,
afirmou John Butcher, coordenador da campanha de Substâncias
Tóxicas do Greenpeace Brasil. “Isso deve servir
de exemplo para outras empresas. Também tem de
ser um modelo para a inclusão dos princípios
da precaução e da substituição
tanto na reformulação da política
de substâncias químicas européia,
que está em andamento, quanto em qualquer política
ou no programa de segurança química que
está sendo discutido no Brasil”, complementou.
Nos
últimos meses, o Greenpeace vinha mantendo conversas
com a empresa sobre o uso de compostos retardadores de
chama bromados e de ftalatos. Como resultado desse diálogo,
a Samsung concordou em elaborar, dentro da sua política
de uso de materiais e substâncias, um calendário
de eliminação gradativa e definitiva de
substâncias tóxicas e a sua substituição
por alternativas mais adequadas ambientalmente. Esse compromisso
eleva a classificação da empresa – de vermelha
para laranja – na lista de produtos pesquisados pelo Greenpeace.
Isso faz da Samsung a primeira empresa a ter a sua classificação
elevada desde o início da campanha de produtos
do Greenpeace na Europa.
Gregor
Margetson, chefe para Assuntos de Meio Ambiente da Samsung
Electronics Europe disse: “historicamente, a Samsung tem
tido uma séria preocupação com as
questões ambientais e, nosso trabalho junto ao
Greenpeace, demonstra que acolhemos propostas construtivas
nessas questões. A crítica inicial promovida
pela organização não-governamental
nos motivou a reavaliar nossos objetivos e considerar
o que é realmente possível. Decidimos pelo
caminho difícil porque temos a ambição
de nos tornarmos uma empresa mais sustentável.
E percebemos que essa recompensa possui um preço."
[2]
Durante
a produção, a utilização e
o desuso (quando o produto não possui mais utilidade,
tornando-se “lixo”) do produto, essas substâncias
tóxicas acabam indo para o meio ambiente. Rastros
dessas substâncias produzidas pelo homem – que podem
ser perigosas mesmo em pequenas doses – foram achadas
em toda a parte do planeta, da Antártida ao Pólo
Norte.
Como
algumas substâncias alternativas não tóxicas
ainda precisam ser desenvolvidas, a Samsung também
se comprometeu a buscar substitutos para os compostos
perigosos que ela utiliza atualmente. “Nosso processo
de decisão está baseado no senso comum”,
disse Gregor Margetson. “Nós consideramos todas
as informações disponíveis e, se
necessário, damos marcha ré quando temos
suspeitas. Usamos pesquisas cientificas para confirmar
o melhor caminho a seguir. Em alguns casos, como os de
suspeita de conexão entre substâncias químicas
e danos ao meio ambiente e à saúde humana,
estamos preparados para agir onde a evidência não
é confirmada cientificamente, mas onde essa suspeita
é suficiente para causar preocupação.
Combinar preocupações morais com a realidade
de mercado não é fácil, mas queremos
pensar que estamos tentando fazer a coisa certa”, complementou.
No
Brasil, a Campanha Veneno Doméstico lançou
na semana passada seu relatório sobre a análise
da poeira doméstica e de ambientes de trabalho
brasileiros, que detectou diversas substâncias químicas
tóxicas, incluindo os ftalatos, os retardadores
de chama bromados, os alquilfenóis e os organoestânicos
[3]. Isso prova que, diferentemente do que a maioria das
indústrias anuncia, produtos como televisores e
celulares eliminam substâncias tóxicas durante
o uso, indo parar na poeira que está ao nosso redor
diariamente. Para o Greenpeace, substâncias químicas
perigosas não devem estar em nenhum produto. “A
incorporação dos princípios da substituição
e da precaução por leis, decretos e normas
é fundamental para que as indústrias parem
de utilizar o meio ambiente e a nossa saúde como
campo de provas para substâncias perigosas”, disse
Butcher.
Fonte:
http://www.greenpeace.org.br/toxicos/toxicos.php?conteudo_id=1281&content=1