Agrotóxicos
que afetaram a saúde de uma pessoa podem provocar
danos a seus descendentes por até quatro gerações,
segundo pesquisadores da Washington State University.
A equipe de cientistas obteve evidências de que
algumas doenças hereditárias podem ser causadas
por venenos que poluem o útero.
Pesquisa em ratos sugeriu que toxinas ambientais produzidas
pelo homem podem alterar a atividade genética,
permitindo o surgimento de doenças que são
transmitidas por pelo menos quatro gerações.
A pesquisa foi publicada pelo jornal Science.
Hormônios
Os cientistas expuseram duas ratazanas grávidas
a agrotóxicos durante o período em que o
sexo dos fetos estava sendo determinado.
Os produtos químicos eram vinclozolin, fungicida
muito comum em vinhedos, e o pesticida methoxyclor.
Os dois são conhecidos como produtos químicos
que interferem no funcionamento normal dos hormônios
reprodutivos.
As ratazanas expostas aos agrotóxicos produziram
filhos do sexo masculino com baixa contagem de esperma
e fertilidade fraca.
Quando esses ratos foram cruzados com fêmeas que
não tinham sido expostas às toxinas, ainda
assim seus descendentes do sexo masculino apresentaram
o mesmo problema.
O efeito persistiu em pelo menos quatro gerações,
prejudicando a fertilidade de mais de 90% dos machos de
cada geração.
Os pesquisadores constataram que o dano não foi
causado por alterações no código
do DNA, mas por alterações na forma com
que os genes operam.
Essas mudanças "epigenéticas"
são provocadas por partículas químicas
que aderem ao DNA, modificando sua atividade.
As alterações epigenéticas já
eram conhecidas, mas não se sabia que eram transmitidas
às futuras gerações.
Câncer
O pesquisador chefe, Michael Skinner, acredita que elas
podem contribuir para doenças como câncer
de seio e de próstata.
As duas doenças estão se tornando mais comuns
e Skinner diz que isso não é devido apenas
a mutações genéticas.
Os pesquisadores acreditam que a exposição
a toxinas ambientais pode ter um papel importante no processo
evolucionário.
A evolução pode não ser provocada
integralmente por mutações genéticas,
como era comum acreditar.
"É uma nova forma de pensar sobre a doença",
disse Skinner.
"Acreditamos que esse fenômeno será
um fator importante para entender como a doença
se desenvolve."
Mas Skinner enfatizou que é necessário pesquisar
mais para reforçar essas constatações.
Os níveis de produtos químicos a que os
ratos foram expostos foram elevados, muito mais altos
do que as pessoas enfrentam normalmente.
O professor Alan Boobis, toxicologista do Imperial College
London, disse à BBC que as constatações
são interessantes, mas não há necessidade
de as pessoas ficarem assustadas.
"Esse efeito provavelmente depende da concentração
e esses animais foram expostos a níveis muito elevados
de produtos químicos", disse.
"Precisamos descobrir se esse efeito transgeracional
se traduz em doses muito mais baixas."
Fonte:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2005/06/050603_toxicocc.shtml