A USP Leste preservada


Finalizado em dezembro passado e prestes a ser implantado, projeto do USP Recicla prevê ações para reduzir a produção de lixo, dar a destinação certa a cada tipo de resíduo e tornar o novo campus um exemplo de gestão ambiental.

A USP Leste já nasce envolta por cuidados ambientais. Inaugurado no dia 27 de fevereiro, com a presença do governador Geraldo Alckmin e do reitor Adolpho José Melfi, o novo campus prepara a implantação do projeto Gestão de Resíduos Sólidos na USP Leste, elaborado pelo USP Recicla – órgão da Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Atividades Especiais (Cecae) da USP dedicado à educação ambiental na Universidade.

Em discussão desde meados de 2004 e finalizado em dezembro passado, o projeto prevê a gestão de resíduos sólidos no campus em duas etapas. A primeira se refere à implantação da coleta seletiva e de um programa permanente visando à redução da produção de lixo. Já a segunda etapa diz respeito à consolidação da política de gerenciamento de resíduos, através de cuidados especiais com materiais como produtos químicos, tintas, restos de construção civil e descartes de serviços de saúde.

Segundo o projeto, resíduos como papel, vidro, metal e plástico serão encaminhados para reciclagem. Além de colaborar com a gestão ambiental, a medida vai gerar renda para famílias da comunidade: os catadores desse material – devidamente cadastrados numa cooperativa ligada à Prefeitura paulistana – serão moradores vizinhos da USP Leste. Eles ficarão encarregados de recolher os resíduos, depositados na entrada do campus, e levar para a reciclagem. “Isso está de acordo com um dos objetivos da USP Leste, que é promover cada vez mais a inclusão social e a interação da Universidade com a comunidade”, afirma o geógrafo Antonio Vitor Rosa, educador do USP Recicla. Lâmpadas fluorescentes serão encaminhadas para descontaminação, cartuchos e toners de impressão usados serão vendidos para recarga e o lixo orgânico terá como destino a compostagem, prevê o projeto. O documento propõe ainda a criação de uma oficina de reaproveitamento de móveis e materiais de escritório. “Uma possibilidade interessante é o funcionamento dessa oficina como uma oficina-escola, voltada para a comunidade do entorno”, diz o projeto.

Redução

Mais ainda do que dar a destinação certa para cada tipo de resíduo, o USP Recicla quer trabalhar para reduzir a quantidade de lixo produzido no campus. Para isso, o projeto prevê a eliminação de desperdícios e a “redução drástica” do uso de materiais descartáveis. Entre as ações previstas estão a distribuição de canecas para toda a comunidade de alunos, professores e funcionários – que substituirão os copos de plástico –, o uso de envelopes “vai-e-vem” e a implantação de papel para rascunho nos vários departamentos do campus. Ao mesmo tempo, haverá um trabalho constante de educação ambiental, através de palestras e distribuição de folhetos, a fim de mostrar às pessoas como evitar ao máximo a produção de resíduos. Todas essas ações deverão ter início nos próximos dias, quando a Prefeitura da Cidade Universitária concluirá as obras necessárias para a implantação do projeto, como lixeiras e pias de alvenaria, além da composteira.

A coordenadora-executiva do USP Recicla, Regina Carvalho, está animada com a expectativa de atuar na USP Leste. Para ela, trabalhar num campus desde a sua origem “é mais fácil” do que fazer a gestão ambiental na Cidade Universitária e nos campi da USP no interior do Estado, que já apresentam “vícios” difíceis de eliminar.

No novo campus, Regina e sua equipe terão a oportunidade de evitar o surgimento de procedimentos que prejudicam o ambiente – como o desperdício e a destinação inadequada do lixo. “A nossa intenção é fazer da USP Leste um campus exemplar na área da gestão ambiental”, diz Regina. “Se depender de nós, vamos conseguir.”

Myriam profere aula inaugural
A honra de proferir a aula inaugural na USP Leste, no dia 28 de fevereiro, às 9 horas, coube à professora Myriam Krasilchik, da Faculdade de Educação da USP. Na aula, Myriam falou sobre o significado de estudar numa universidade. Destacou a importância da produção e disseminação do conhecimento e enfatizou a necessidade de o aluno desenvolver autonomia acadêmica, ter idéias próprias e ser questionador. “O estudante universitário precisa ter como objetivo tornar-se um profissional competente, consciente de seus deveres cívicos e engajado no processo de melhoria das condições de vida da população”, ensinou a professora. Myriam repetiu a aula às 14 horas e às 19 horas, para as turmas dos períodos vespertino e noturno. Além da aula inaugural, durante toda a semana passada os alunos tiveram uma série de atividades no campus – como palestras e visitas a laboratórios –, dentro da já tradicional Semana de Recepção aos Calouros da USP.

Mesmo com sua larga experiência, Myriam se emocionou ao ministrar a primeira aula no novo campus. “Eu e os alunos estávamos todos muito comovidos e felizes, porque a USP Leste era um projeto antigo, um sonho que se concretizou”, revelou Myriam, que coordenou as comissões responsáveis pelo projeto pedagógico da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH), a única unidade de ensino e pesquisa do campus, com dez cursos e 1.020 alunos. Para a professora, em alguns aspectos a USP Leste até mesmo superou as expectativas de seus idealizadores. Como exemplo, ela cita os alunos e a comunidade ao redor do campus. “Os estudantes sabem dar o devido valor a esse empreendimento e a população tem interagido muito bem com a Universidade.”

Myriam merece a honra de ser a primeira a falar aos alunos da USP Leste. Formada em 1954 pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, no curso de História Natural – que reunia Biologia e Geologia, hoje separadas –, a professora fez uma longa e frutífera carreira acadêmica e administrativa na USP. Duas vezes diretora da Faculdade de Educação, ela foi vice-reitora na gestão do reitor Flávio Fava de Moraes (1993-1997), formou gerações de alunos e prestou uma longa folha de serviços à Universidade. Doutora pela Faculdade de Educação com uma tese sobre ensino de biologia, defendida em 1973, ela é autora de vários livros na área, entre eles A biologia e o homem (Edusp), em parceria com Isaias Raw e Lelia Menucci, e Prática de ensino de biologia (Edusp).

FONTE:
http://www.usp.br/jorusp/arquivo/2005/jusp716/pag20.htm


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