Para a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a onda
de violência no Pará, além de ser
uma afronta ao Estado de Direito, é uma reação
às atividades promovidas pelas comunidades locais
e aos setores produtivos comprometidos com uma agenda
cidadã. A ministra participou, quarta-feira à
noite, com o presidente do Ibama, Marcus Barros, e o secretário
de Biodiversidade e Florestas do Ministério do
Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, da reunião
da Comissão Especial do Senado que acompanha as
investigações sobre o assassinato da irmã
Dorothy Stang, em fevereiro passado, no Pará.
Segundo a ministra, "há mais de 20 anos as
comunidades locais vêm trabalhando alternativas
na Amazônia, e não só no Pará,
mostrando que é possível compatibilizar
desenvolvimento com atividades produtivas sustentáveis
. Marina Silva lembrou, também, que muitas pessoas
que atuam nos setores produtivos lidam corretamente com
os recursos naturais. Para a ministra, a situação,
que culminou com a morte da irmã Dorothy "foi
uma forma violenta de inibir o trabalho dessas comunidades
locais, de intimidar os que querem produzir de uma forma
correta, e uma afronta ao Estado que pela primeira vez
começou a fazer um movimento de transformar em
políticas públicas essas ações".
A ministra explicou aos senadores que, no dia do assassinato,
ela estava a cerca de 300 quilômetros de Anapu,
em uma assembléia com 1.500 famílias, na
Reserva Verde para Sempre, criada em dezembro passado,
onde anunciava a liberação de R$ 20 milhões
para investimento em infra-estrutura para exploração
sustentável dos recursos florestais.
Marina Silva disse que o ministério está
trabalhando, desde o início do governo, em programas
estruturantes e com políticas integradas com outros
ministérios para combater o desmatamento na Amazônia
e promover a regularização e o ordenamento
fundiário na região. Ela apresentou um resumo
das atividades desenvolvidas e um balanço dos resultados
obtidos pelo Ibama nos últimos dois anos com fiscalização,
multas e apreensões. Como resultado dessas ações,
de acordo com a ministra, a expectativa é que em
2005, "de fato se tenha uma diminuição
significativa no índice de desmatamento da Amazônia".
Os números de 2003-2004, segundo a ministra, provavelmente
ficarão entre 23 mil e 24 mil de quilômetros
quadrados, basicamente igual ao registrado no período
de 2002-2003, que somou 23.750 quilômetros quadrados,
um crescimento de 2% em relação ao ano anterior.
O presidente do Ibama, Marcus Barros, lembrou aos senadores
que as ações na Amazônia estavam planejadas
e em processo de implementação desde o início
do Governo. "O plano não surgiu agora, não
é reativo", disse. Já o secretário
de Biodiversidade e Florestas do MMA, João Paulo
Capobianco, destacou que o objetivo do ministério
não é apenas reduzir o desmatamento, mas
promover o ordenamento fundiário. Ele afirmou que
a legislação ambiental brasileira, apesar
de avançada, se restringe a proteção
e defendeu a aprovação de uma lei que incentive
o uso sustentável das florestas, como o projeto
de lei de Gestão de Florestas Públicas,
enviado em fevereiro pelo presidente da República
ao Congresso Nacional. A ministra Marina Silva também
defendeu a aprovação do projeto de lei explicou
as senadores que "o PL de Florestas dará condições
para a produção florestal legal no País".
ASCOM
FONTE:
http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=1613