Para cuidar de um acervo que ultrapassa a 3,2 mil animais,
o Zoológico de São Paulo, ligado à
Secretaria de Estado do Meio Ambiente, inaugurou em fevereiro
o seu primeiro berçário, chamado Vida de
Filhotes. O investimento de R$ 70 mil, com a parceira
Pet Center Marginal, permitiu a realização
de uma antiga proposta do Zôo: oferecer aos visitantes
a oportunidade de assistir a procedimentos como incubação
de ovos, cuidados com a alimentação e o
desenvolvimento dos novos animais.
A
estrutura anterior foi reformada, com a instalação
de sala de criação, sala de apoio para o
biólogo, construção de uma área
externa com tanque para os animaizinhos mais desenvolvidos,
além da compra de equipamentos para a sala climatizada
de incubação de ovos de aves e répteis.
O
público não entra no recinto, mas pode ver
o seu interior por uma parede de vidro. Um sistema eletrônico
permite a comunicação do monitor (biólogo)
com as pessoas que estão do lado de fora, mostrando
o que há no berçário e respondendo
as perguntas dos visitantes.
De
acordo com a coordenadora de estudos especiais do Zôo,
Fátima Valente Roberti, a idéia é
conseguir mais parceiros e construir novos espaços
para os animais. 'Queremos mostrar o trabalho de reprodução,
e conscientizar, principalmente as crianças, para
no futuro termos os ambientes preservados e menos espécies
ameaçadas', diz.
Segundo
explica, alguns filhotes são frágeis e dependentes,
necessitando de cuidados intensivos até que possam
adaptar-se ao seu ambiente e adquirir condições
de sobreviverem sozinhos.
Cuidados
especiais - Depois do nascimento, a maioria das crias,
como a do leão-marinho, permanece no mesmo recinto
que os pais. Mas fatores como ausência de leite
materno, falta de experiência ou doença da
mãe, ou do próprio filhote, podem impedir
esse convívio. Nesses casos, os bebês são
retirados e encaminhados ao berçário para
que biólogos ou estagiários de Biologia
assegurem cuidados especiais e forneçam alimentação
artificial, por mamadeira ou seringa. 'Antes, esses filhotes
ficavam separados, no setor de mamíferos ou de
aves', informa Fátima. 'No berçário
só permanecem os animais saudáveis. Os doentes
ficam na Veterinária, uma área fechada do
Zôo, com ambulatório e médicos veterinários'.
Alguns
répteis - como tartarugas, lagartos e serpentes
- não cuidam de seus filhotes. 'A cobra não
acolhe a cria; já os crocodilos e jacarés
proporcionam temperatura e alimentação adequada
aos filhotes, só não fazendo isso quando
as ninhadas são numerosas. A maioria das aves,
por terem poucos ovos, cuida de seus filhos', observa
o biólogo do setor de educação ambiental
do Zôo, Guilherme Augusto Domenichelli.
Atualmente,
estão no berçário uma tiriba (da
família dos periquitos), tracajás (tartaruguinhas),
iguanas e uma cobra do milho (serpente não-venenosa).
Na
incubadora, estão ovos de jacaré, jabuti
e aves brasileiras ameaçadas de extinção,
como ema, mutum e urumutum. Os ovos são higienizados,
numerados, pesados e depois encaminhados para chocar,
numa temperatura em torno de 37,5ºC, com 60% de umidade.
Um equipamento, chamado ovoscópio, possibilita
que se acompanhe o desenvolvimento do embrião.
O aparelho, formado por uma lâmpada cujo feixe de
luz atravessa o ovo, permite visualizar o seu interior
e observar o pequeno embrião, com seus vasos sangüíneos,
o que indica desenvolvimento normal. O nascimento de filhotes
saudáveis muitas vezes depende do manejo cauteloso
dos ovos, pois erros durante a incubação
podem ser fatais ou acarretar sérios problemas
para a formação do embrião.
Nasce Inti, o pequeno leão-marinho
No dia 2 de fevereiro, nasceu, com 13 quilos, um filhote
macho de leão-marinho batizado com o nome de Inti,
que significa sol, na língua dos incas. O animal
vive com a mãe, Pukara, e o pai, Pakar, mais Puiú
e Tchiri, num recinto especial, com três piscinas.
Excetuando Inti e Tchiri, os outros leões-marinhos
nasceram no Uruguai.
Nos
primeiros dias de vida, Inti passou o tempo todo ao lado
da mãe, separado dos demais apenas por precaução,
pois sua tia Puiú responde aos seus gritos, sons
fortes semelhantes aos de um cabrito.
O único filhote de mamífero do Zoológico
- vai mamar até um ano de idade - começará
a se alimentar de peixes com dois meses. É cuidado
por um treinador e por um estagiário de Biologia.
O pequeno leão-marinho já arriscou os primeiros
mergulhos, permanecendo ao lado da parte rasa da piscina.
SERVIÇO
Zoológico de São Paulo - Av. Miguel Stefano,
4.241 - Água Funda - São Paulo.
Mais
informações podem ser obtidas pelo telefone
(11) 5073-0811 ou no site http://www.zoologico.sp.gov.br
A
bilheteria funciona de terça-feira a domingo, das
9 às 16h30, e às 17 horas os portões
são fechados.
Abre
às segundas-feiras somente nos feriados ou véspera
de feriado.
O berçário Vida de Filhotes fica na alameda
das aves, ao lado da loja de lembranças.
Márcia
Bitencourt
Da Agência Imprensa Oficial
FONTE:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=61948