O
Ministério das Cidades recebe, de nove a 19 de
maio, propostas de prefeituras que tenham interesse em
implantar o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) para
melhorar a gestão dos resíduos sólidos
e reduzir as emissões de gases que provocam o efeito
estufa, oriundos dos lixões e aterros sanitários.
O edital de chamada pública com os critérios
de seleção e lista de documentos necessários
para participar do projeto já está disponível.
Podem participar da seleção os 200 maiores
municípios do país, ou seja, os que têm
mais de 118 mil habitantes, segundo projeção
do IBGE em 2003. Desses, serão selecionados, no
máximo, trinta. O resultado dos municípios
contemplados será divulgado no dia 23 de maio.
Ao todo, o Ministério destinará US$ 979,3
mil para o programa. O montante será aplicado em
cursos de capacitação para gestores municipais,
desenvolvimento institucional, elaboração
de um portal eletrônico do governo federal em resíduos
sólidos e contratação de consultorias.
A
iniciativa visa estimular a gestão ambiental e
é a primeira medida do governo federal após
a consolidação do Protocolo de Quioto. "O
incentivo à projetos de MDL por parte do governo
também é pioneiro", informa Sergio
Bueno, assessor técnico da Secretaria Nacional
de Saneamento Ambiental.
Após
a publicação do resultado final do edital,
o Ministério das Cidades abrirá processo
de licitação nacional e internacional para
selecionar empresas de consultoria que atuarão
na elaboração de estudos de viabilidade
técnico-econômica de aplicação
do MDL. "O processo será aberto para empresas
de fora do país por causa do volume de recursos",
explica Bueno, acrescentando que, por determinação
do Banco Mundial, licitações que envolvam
mais de US$ 200 mil devem ser estendidas aos outros países.
As consultorias que se qualificarem no processo licitatório
irão realizar trabalho de campo, como medir e captar
a emissão de gases em aterros sanitários
para, a partir daí, identificar o potencial de
redução de metano (CH4), que é o
principal componente do biogás emitido pela decomposição
de matéria orgânica e o que traz impacto
21 vezes pior que o (CO2) para o efeito estufa. Também
faz parte do projeto transformar a queima de gases em
fonte de geração de energia elétrica.
Redução de gases poderá ser revertida
em investimento para prefeituras
"A consultoria irá identificar o potencial
do município e servirá como estudo de potencial
para a implementação do MDL", afirma
Bueno. Esse material será de propriedade das prefeituras
e poderá ser usado como subsídio para elaborar
o o projeto de concepção para receber o
mecanismo. Esse estudo proporcionará a elaboração
do plano de obras e, com eles prontos, as prefeituras
poderão pleitear recursos para executá-las,
inclusive junto às linhas de crédito disponíveis
no Ministério das Cidades. Depois que os projetos
de MDL estiverem funcionando e passarem pela certificação
do Conselho Executivo junto às Nações
Unidas, a redução de poluentes lançados
na atmosfera poderá ser revertida em recursos financeiros
para as prefeituras. “Os governos locais poderão
vender essa diminuição de emissão
de gases de efeito estufa no mercado global de carbono
sob a forma de Créditos de Carbono”, detalha Bueno.
A estimativa é que esse mercado gere cerca de US$
10 bilhões nos próximos anos.
Além disso, o Ministério irá realizar
cursos de capacitação sobre o MDL para técnicos
municipais, catadores, ONG´s e lideranças
comunitárias de áreas próximas aos
lixões, nos municípios selecionados. A intenção
é habilitar essas pessoas para acompanhar o trabalho
que será feito pelas consultorias e também
sensibilizar o governo local sobre a importância
de dispor o lixo adequadamente e diminuir a emissão
de poluentes. O Ministério quer que os recursos
oriundos da comercialização dos Certificados
de Emissão de Reduções sejam destinados
aos municípios e direcionados a implantação
de projetos de desenvolvimento local sustentáveis
que beneficiem os catadores e as populações
pobres que vivem no entorno dos lixões ou aterros
sanitários. Esses projetos devem estar voltados
à geração de ocupação
e renda, melhorias habitacionais e inclusão social.
Os U$ 979,3 mil que o Ministério das Cidades investirá
no programa foram repassados a fundo perdido pelo governo
japonês ao governo brasileiro no ano passado, como
resultado do processo de seleção de projetos
para desenvolver o MDL. “Na época, o Brasil concorreu
com diversos outros países em desenvolvimento e
teve seu projeto qualificado”, lembra Bueno.
Ministério das Cidades
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FONTE:
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