Carolyn
Fry
Cientistas
britânicos da Universidade de Southampton disseram
que o esfriamento da termosfera causado pelo aumento da
quantidade de gás carbônico está dimuindo
a densidade atmosférica, o que pode prolongar o
tempo que um satélite fica em órbita, mas
também o período de vida útil do
lixo espacial.
Segundo os pesquisadores, com o tempo, isso aumentará
significativamente o número de colisões
no espaço, o que poderá causar prejuízos
para fabricantes de naves espaciais.
"Criamos dois modelos, um para a densidade padrão
e outro para a densidade decrescente, com o objetivo de
prever o que poderá acontecer no futuro",
disse Graham Swinerd, co-autor da pesquisa apresentada
à 4ª Conferência Européia de
Lixo Espacial no Centro de Operações Européias
Espaciais, na Alemanha.
"Uma das descobertas mais significativas é
que o número de colisões aumentou significativamente
devido à diminuição da densidade
atmosférica. A baixa densidade faz com que todos
os objetos fiquem em órbita por mais tempo. Então,
se há uma colisão que produz lixo, os pedaços
se espalham por diferentes órbitas e produzem mais
colisões. É como uma reação
em cadeia."
Colisão
As moléculas de gás carbônico causam
o esfriamento da termosfera quando elas atingem átomos
de oxigênio.
No impacto, elas emitem calor que irradia pelo espaço.
O esfriamento reduz a densidade - e isso, por sua vez,
prolonga o tempo de satélites e lixos espaciais
em órbita.
O acompanhamento direto mostra que as concentrações
de gás carbônico estão crescendo desde
os anos 1950, e os níveis devem continuar a aumentar
no futuro. Por isso, os cientistas esperam que a densidade
na termosfera continue a cair.
O primeiro caso observado de uma colisão de dois
objetos aconteceu em 1996 - o satélite francês
Cerise foi atingido pelo fragmento de um projétil.
O modelo criado pelos cientistas britânicos prevê
que devem haver cerca de 50 colisões até
o final deste século.
Hoje em dia, cerca de 9 mil objetos com mais de 10 cm
de diâmetro estão em órbita acima
da superfície da Terra, incluindo satélites
ativos.
FONTE:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/05/050505_co2cl.shtml