Por
Thiago Romero
Agência FAPESP - A quantidade de entulho gerado
pela construção civil chega a representar
50% do lixo domiciliar dos municípios brasileiros.
Isso acaba provocando sérios problemas ambientais,
uma vez que grande parte dos resíduos é
depositada de forma irregular.
Com base nessa premissa, técnicos do Instituto
de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São
Paulo (IPT) e de diversas outras instituições
de pesquisa passaram a estudar a reutilização
do entulho desperdiçado. O objetivo foi desenvolver
novos materiais para serem aplicados na própria
indústria da construção.
Após analisar vários tipos de concretos
os pesquisadores do IPT desenvolveram em laboratório
uma metodologia para transformar entulho em argamassas
de revestimento. Por conter basicamente cimento e areia,
os resíduos de construção passaram
por máquinas trituradoras para, em seguida, serem
misturados a amostras de cimento novo.
“O produto obtido pelo processo apresentou boa resistência
mecânica e durabilidade elevada, porém, ainda
com qualidade inferior ao agregado natural. Isso ocorre
porque muitas vezes a qualidade da matéria-prima
que gerou o entulho é desconhecida”, disse Luiz
Tsuguio Hamassaki, pesquisador do Agrupamento de Materiais
de Construção Civil da Divisão de
Engenharia Civil do IPT, à Agência FAPESP.
O entulho também pode ser reutilizado na pavimentação
de ruas, construção de calçadas e
fabricação de concretos não-estruturais.
“Devido à grande heterogeneidade do entulho reciclado,
o ideal é que o material não seja utilizado
na construção de edificações.”
Para Hamassaki, uma das vantagens do processo é
o custo do material. “Além de ter um custo inferior
ao dos produtos novos, o entulho reciclado evita agressões
ao meio ambiente. Ele não é depositado em
aterros e sim na própria construção”,
diz.
Mas o pesquisador do IPT alerta que o usuário comum
deve evitar o acesso direto a esse tipo de material. “O
Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) estipulou
uma série de normas técnicas para utilização
desse tipo de concreto pelas grandes construtoras”, explica.
Segundo Hamassaki, o entulho municipal vem sendo reutilizado
por empresas de construção civil em cidades
como Belo Horizonte (MG), Ribeirão Preto (SP) e
Piracicaba (SP). “O Conama exige que as prefeituras criem
políticas públicas de gerenciamento dos
resíduos urbanos. A idéia é que os
gestores municipais se mobilizem para que as construtoras
apresentem um plano de ação que evite o
despejo de entulho de forma irregular no meio ambiente”,
disse.
FONTE:
http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?data[id_materia_boletim]=3674