A
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, voltou a defender,
hoje, a obrigatoriedade do licenciamento pelos ministérios
da Saúde, Meio Ambiente e Agricultura para o plantio
e comercialização de organismos geneticamente
modificados. Em reunião conjunta das comissões
de Agricultura e Meio Ambiente da Câmara dos Deputados,
a ministra explicou que as atribuições dos
ministérios, do Sistema Nacional de Meio Ambiente
e do Sistema Único de Saúde não podem
ser suplantadas pela Comissão Técnica Nacional
de Biossegurança (CTNBio) sem ferir a Constituição.
Marina Silva destacou que a legislação sobre
biossegurança, que está sendo discutida
no Congresso Nacional, não trata apenas de soja
ou outras plantas geneticamente modificadas, mas da possibilidade
de liberação no meio ambiente de microorganismos,
vírus e animais, entre eles insetos, sem que os
estudos sobre os riscos tenham começado. "Se,
por um lado, o uso dessas técnicas acena para a
resolução de problemas e para o desenvolvimento
de novos e inúmeros produtos, por outro, trazem
embutidas questões que precisam ser corretamente
dimensionadas, tendo em vista o interessa da sociedade
brasileira, presente e futura", disse.
A ministra lembrou que os estudos de risco para a liberação
de transgênicos no meio ambiente ainda são
incipientes e informou que somente a Inglaterra realizou
estudo de média duração abrangendo
os impactos da utilização de variedades
transgênicas. "Os resultados demonstraram que
o sistema que usa variedades transgênicas causou
maiores prejuízos à biodiversidade em dois
dos três casos", disse.
Marina Silva considera que a falta de monitoramento pós-
liberação nos países em que os transgênicos
são permitidos poderá causar danos ao meio
ambiente e também problemas sociais. Ela citou
como exemplo a contaminação de variedades
convencionais por transgênicos nos Estados Unidos,
onde estudos demonstraram que variedades convencionais
de algodão, milho, canola e soja, em sua grande
maioria, estão contaminadas. "A produção
de orgânicos já está ameaçada
nos estados Unidose poderá ocorrer o mesmo no Brasil
se não forem tomadas as providências para
impedir essa contaminação", afirmou.
A ministra também considera preocupante a velocidade
com que plantas daninhas estão se tornando resistentes
aos herbicidas usados em variedades transgênicas,
o que ocorre em diversos países, inclusive no Brasil
e Argentina. Ela lembra que um dos argumentos para o uso
dos transgênicos é que haveria um decréscimo
no uso de agrotóxicos, mas que isso não
se confirmou. Uma pesquisa realizada pelo MMA aponta que,
no Rio Grande do Sul, a venda de herbicidas a base de
glifosato, utilizado na soja transgênica, saltou
de 3,6 milhões de quilos em 1996 para 14,3 milhões
de quilos em 2003. "Esse aumento drástico
não é contraposto pela diminuição
dos demais agrotóxicos", explicou a ministra.
ASCOM
FONTE:
http://www.mma.gov.br/ascom/