REYKJAVIK
(Reuters) - O rápido degelo do Ártico pode
abrir vastas áreas para a exploração
de petróleo e gás, mas isso afetaria o frágil
equilíbrio ambiental da região, disseram
especialistas na quinta-feira.
Os cientistas elaboraram um relatório patrocinado
por oito países, segundo o qual o oceano Ártico
pode praticamente desaparecer no verão em 2100
por causa do aquecimento global. Eles afirmaram que isso
facilitaria as operações de busca por petróleo
e gás natural, mas o degelo do permafrost (solo
congelado) poderia desestabilizar as instalações
em terra.
As empresas petrolíferas não se convenceram.
"Não podemos dizer com certeza se as operações
no Ártico ficarão mais fáceis ou
mais difíceis," disse Mark Akhurst, gerente
de alteração climática da BP, que
participava com observador da conferência em Reykjavik
que analisa o relatório divulgado segunda-feira.
"Uma das grandes questões são... os
pedaços de gelo flutuando," disse ele. "Se
o aquecimento criar áreas onde o gelo seja bem
menos estável, é muito mais difícil
executar."
Já se extraem petróleo e gás natural
do Ártico, do Alasca à Noruega. Os novos
grandes projetos incluem a reserva de gás natural
Shtokman, da Rússia, no mar de Barents, com uma
capacidade estimada de 3,3 trilhões de metros cúbicos
de gás, ou seja, uma das maiores do mundo.
"Conforme o gelo recua, recursos como petróleo
e gás ficarão em geral mais fáceis
de alcançar," disse Arne Instanes, um cientista
norueguês que foi autor do capítulo sobre
a infra-estrutura da região no relatório.
Muitos ambientalistas são contrários à
exploração de novos combustíveis
fósseis no Ártico, para não aumentar
ainda mais o efeito-estufa.
"Precisamos de um novo tratado do Ártico para
regulamentar o acesso à região," disse
Samantha Smith, chefe do Programa do Ártico do
grupo conservacionista WWF. O ecossistema do Alasca ainda
não se recuperou do vazamento do Exxon Valdez,
em 1989.
Mas, segundo Akhurst, a demanda por energia do planeta
vai dobrar ou triplicar até 2050, e o uso maior
de gás natural em vez do petróleo ou do
carvão poderia conter as emissões de dióxido
de carbono. E, mesmo com o barril de petróleo a
50 dólares, as reservas do Ártico podem
se provar caras demais.
O relatório sobre o Ártico foi elaborado
por 250 cientistas dos Estados Unidos, Rússia,
Canadá, Noruega, Finlândia, Suécia,
Dinamarca e Islândia. Segundo o estudo, as temperaturas
no Ártico estão se elevando ao dobro da
velocidade do resto do planeta, e devem subir mais entre
4 e 7 graus Celsius até 2100.
"Há quem estime que 25 por cento das reservas
de petróleo e gás do mundo estejam no Ártico,"
disse Lars-Otto Reiersen, chefe do Programa de Monitoramento
e Avaliação do Ártico (Amap).
Segundo ele, se houver um vazamento, é mais difícil
remover o petróleo do gelo. "Se vazar no gelo,
o óleo vai ficar congelado, e quando o gelo derreter
ele vai degelar também," afirmou. Outros perigos
apontados foram a erosão da costa e a dificuldade
de transporte.
Por Alister Doyle
FONTE:
http://br.news.yahoo.com/041111/5/oxxf.html