Aldem
Bourscheit
Os ministérios do Meio Ambiente e das Cidades lançaram
um edital para selecionar trinta cidades de todo o País
onde será avaliado o possível uso do gás
emitido por aterros sanitários e lixões
em troca de "créditos de carbono". Essa
operação é prevista pelo Mecanismo
de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Quioto,
que entrou em vigor em fevereiro. Com isso, o uso do gás
gerado pela decomposição do lixo poderá
ser usado para geração de energia, por exemplo,
e render dividendos às cidades, que ainda ajudarão
a reduzir a poluição lançada no meio
ambiente.
Entre
os gases que agravam o efeito estufa e contribuem para
o aquecimento global, destacam-se o dióxido de
carbono e o metano. Este último é o principal
gás produzido pela decomposição do
lixo em aterros e lixões.
A escolha das cidades será feita em duas etapas.
Na primeira, serão selecionados os duzentos maiores
municípios. Em seguida, equipes dos dois ministérios
definirão cerca de trinta cidades onde consultorias
contratadas pelo Ministério das Cidades realizarão
os estudos. Para tanto, os municípios interessados
na iniciativa deverão protocolar a documentação
exigida pelo edital, no Ministério das Cidades,
entre os dias 9 e 19 de maio. O resultado da seleção
será divulgado no dia 8 de junho. Para o trabalho,
o governo japonês deverá doar US$ 979 mil
(US$ 600 mil, em 2005, e US$ 379 mil, em 2006). Mais informações
sobre o edital em www.mma.gov.br
No dia 19, será realizada uma videoconferência
para esclarecimentos sobre o edital. O debate será
transmitido a partir de Brasília (DF) para todas
as outras capitais, com apoio da Confederação
Nacional da Indústria (CNI). Participarão
representantes dos ministérios do Meio Ambiente
e das Cidades e do Banco Mundial. Também serão
realizadas oficinas para orientação dos
municípios sobre a documentação exigida
pelo edital. A capacitação ocorrerá
no dia 26, em Recife (PE), dia 28, em Brasília
(DF), e dia 29, em Guarulhos (SP).
Geração de energia
Entre dezembro de 2001 e abril de 2004, foi realizada
uma ampla pesquisa sobre o potencial para produção
de energia e redução da poluição
com o uso do biogás gerado por aterros sanitários
e lixões no País. O trabalho foi encomendado
pelo Ministério do Meio Ambiente e conduzido pela
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq),
da USP.
O estudo mostrou que os municípios com mais de
um milhão de habitantes, que produzem mais lixo,
apresentam maior potencial para gerar eletricidade e receber
créditos a partir dos aterros. Em um cenário
otimista, o Brasil poderia gerar, até 2015, 440
MW de energia, por exemplo, usando um gás que hoje
é lançado na atmosfera. O mercado de créditos
de carbono é estimado em até US$ 10 bilhões
nos próximos anos.
ASCOM
FONTE:
http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=1685