
Fonte:
ISA
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O
desmatamento e a poluição das águas
seguem ameaçando um dos mananciais mais importantes
para o abastecimento da Região Metropolitana
de São Paulo, a sub-bacia hidrográfica
do Guarapiranga.
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Em
sobrevôo realizado no final de fevereiro deste ano,
equipe do Instituto Socioambiental constatou que atividades
de supressão de vegetação, carvoaria,
mineração, remoção de terra
e despejo de materiais inertes, como sobras de construções,
estão ocorrendo de maneira irregular em diversos
pontos da sub-bacia, inclusive ao lado de rios e do próprio
reservatório da Guarapiranga.
As atividades foram fotografadas durante o sobrevôo
e, posteriormente, a equipe do ISA checou a exata localização
de cada uma delas. O ISA também conferiu a situação
legal das minerações, como as concessões
de lavra pelo Departamento Nacional de Produção
Mineral (DNPM). Em dois dos casos flagrados, as áreas
exploradas diferem daquelas concedidas pelo órgão
federal.
Movimentação de terra próxima a várzea
do rio Embu-Mirim teria sido autorizada por órgãos
estaduais
Com as informações consolidadas, a coordenadora
do Programa Mananciais do ISA, Marussia Whately, reuniu-se
na segunda feira, dia 2 de maio, com o secretário
de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, José
Goldemberg. Apresentou-lhe uma carta e um documento detalhando
as irregularidades. A carta do ISA solicita a verificação
da denúncias pelas autoridades estaduais. E, caso
sejam confirmadas, a interrupção das atividades
e o cancelamento das licenças de operação.
“Nosso objetivo com essa ação é colaborar
com os órgãos públicos responsáveis
pela fiscalização dos mananciais” diz Marussia.
“Acreditamos que a gestão destas áreas deve
ser participativa e contar com as contribuições
da sociedade civil”. José Goldemberg afirmou que
em duas semanas a secretaria informará as providências
do governo do estado para cada um dos quatro casos.
Carvoarias
e desmatamento
Duas das denúncias dizem respeito à produção
de carvão a partir do desflorestamento da vegetação
local. A primeira delas tem provocado a supressão
de área de Mata Atlântica em estágio
médio de regeneração, o que é
proibido pelo Decreto Federal nº 750, de 1993, pelo
Código Florestal e pela legislação
estadual que trata da proteção dos mananciais.
O corte e queimada da madeira vem sendo feito a menos
de 50 metros de um curso d´água, nas proximidades
do município de Embu-Guaçu.
Outra carvoaria foi localizada às margens da represa
Guarapiranga e perto do Parque Ecológico Guarapiranga.
Nos últimos dez dias, a prefeitura de Embu-Guaçu
derrubou 12 fornos no local. “As pessoas que estavam trabalhando
fugiram quando os fiscais chegaram, mas vamos também
notificar e multar o dono da área, que é
privada”, explica Jumara Bocatto, secretária de
Meio Ambiente do município.
Um terceiro caso relatado no documento apresentado pelo
ISA trata das atividades de duas empresas mineradoras
que estão explorando o solo da sub-bacia fora dos
limites aprovados pelo DNPM. A mineração
estaria, portanto, irregular. O último caso trata
de área com movimentação de terra
e depósitos de materiais inertes. A atividade está
sendo feita às margens de cursos d’água
na área da várzea do rio Embu-Mirim. Na
oficina realizada pelo ISA em março, como parte
do projeto “Diagnóstico Socioambiental Participativo
da Bacia da Guarapiranga”, técnicos de prefeituras
locais alegaram que, apesar da aparente irregularidade,
a atividade fora autorizada pelos órgãos
estaduais competentes.
FONTE:
http://www.cidadania.org.br/conteudo.asp?conteudo_id=4914