Nos
últimos 40 anos o Cerrado tem perdido parte de
sua biodiversidade devido à substituição
de suas áreas nativas por áreas de agricultura
e pecuária. Essa ocupação desenfreada
foi responsável pela perda de 60% dos dois milhões
de quilômetros quadrados originais de Cerrado nativo.
O uso da terra sem controle ou zoneamento tem causado
sérios prejuízos à fauna, à
flora, à qualidade da água e a vida dos
ocupantes desse bioma. Em decorrência, alguns problemas
antes restritos ao meio rural já atingem o meio
urbano, como a raiva, a dengue e a hantavirose.
A hantavirose, doença provocada pela urina do rato
silvestre, e que em 2004 provocou 16 mortes no Distrito
Federal, volta este ano a ameaçar a região,
colocando a população em alerta. O surgimento
da hantavirose pode estar associado a super oferta de
alimentos para os ratos, devido à substituição
de áreas nativas por pastagens, a exemplo da Brachiaria.
As pesquisadoras Fabiana Gois e Ludmilla Aguiar, da Embrapa
Cerrados (Planaltina-DF), unidade da Empresa Brasileira
de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, alertam
que qualquer ocupação no Cerrado deveria
ser avaliada com cautela, pois essa região, além
de considerada uma das mais produtivas do país
é também riquíssima em biodiversidade
e recursos hídricos. “Por isso é essencial
que toda a população, principalmente os
produtores rurais, compreendam a importância das
áreas remanescentes e passem a preservá-las”,
destacam.
Uma das formas de contribuir com a preservação
é por meio da utilização e aproveitamento
das espécies da flora e da fauna do Cerrado. A
produção de animais em cativeiro pode ser
um bom negócio. A ema, por exemplo, ave nativa
e já adaptada em seu ambiente natural, pode ser
considerada ambientalmente correta e sustentável.
As emas são boas produtoras de carne, ovos e de
pele de alto valor econômico.
Quanto às plantas, as espécies frutíferas
já fazem parte da dieta das populações
que vivem no Cerrado, a exemplo do pequi, araticum, baru,
jatobá, buriti, murici, cajuí, mangaba,
cagaita, ananás entre outras. O consumo regional
das frutas nativas é feito com o fruto na forma
natural ou como geléias, sucos, compotas, sorvetes,
etc. Outras plantas possuem ainda outras utilidades como
madeireira, ornamental, forrageira, corticeira, cosmética
e medicinal.
A exploração econômica é uma
alternativa para a preservação das espécies
do Cerrado. A proposta principal, de acordo com as pesquisadoras,
é plantar e incentivar a utilização
dos recursos vegetais do Cerrado, sem precisar cortar
as árvores, ou seja, utilizar o Cerrado “em pé”.
Selma
Beltrão – Jornalista MTb 2490/13/11 DF
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Fonte:
Embrapa
Cerrados