O
chefe da Divisão Técnica do Instituto Brasileiro
do Meio Ambiente (Ibama) em Goiás, José
Augusto Mota, apontou como principal problema do zoológico
de Goiânia o desaparecimento de 311 animais entre
2003 e 2004. Ao participar nesta manhã de audiência
da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)
da Biopirataria, Mota disse que não há registros
de entrada ou de saída desses animais ou mesmo
fichas de necropsia.
Mota informou que, segundo a administração
do zoológico, os 311 animais morreram e seus corpos
foram enviados para o Museu de Ornitologia, onde seriam
empalhados. De acordo com a direção do zoológico,
no entanto, as fichas de necropsia foram extraviadas na
administração anterior.
Apuração
O deputado Dr. Rosinha (PT-PR), autor do requerimento
para a realização da audiência, questionou
se o Ibama foi ao museu verificar a existência desses
animais empalhados. O chefe do Ibama respondeu que não
e disse preferir que a Polícia Federal faça
essa verificação, já que está
encarregada do inquérito sobre o zoológico.
Dr. Rosinha afirmou que a investigação do
Ibama deveria ter sido completa e que o instituto não
poderia ter deixado de enviar representantes ao museu.
Segundo o deputado, não há dúvidas
de que houve tráfico de animais. Ele anunciou que
vai sugerir à CPI que envie parlamentares a Goiânia
para avaliar o caso.
Contrato
de permuta
A CPI também ouviu nesta manhã o delegado
da Polícia Federal em Goiás Roberto Alves
de Castro. Ele relatou irregularidade em um contrato de
permuta entre o zoológico de Goiânia e a
empresa Serra Azul, de propriedade de Noel Gonçalves
Lemes, que é criador de animais silvestres. Pelo
contrato, de 26 de junho de 2003, o zoológico forneceu
20 animais em troca de material de construção,
de pagamento de mão-de-obra e de equipamentos de
informática.
O delegado afirmou que esse contrato é irregular,
avaliação que foi contestada pelo chefe
da Divisão Técnica do Ibama, para quem a
transação foi legal. O funcionário
do Ibama apontou, contudo, a falta de registros da saída
dos animais que participaram da permuta.
Investigação
Segundo o delegado, documentos da Polícia Federal
também comprovam que o proprietário da empresa
Serra Azul comprou animais do zoológico de Brasília.
Além da Serra Azul, a PF investiga outros três
criadores, que receberiam animais não só
do zoológico de Goiânia mas também
dos órgãos ambientais que apreendem animais.
Reportagem - Geórgia Moraes
Edição - Pierre Triboli
FONTE:
http://www3.camara.gov.br/internet/agencia/materias.asp?pk=70638