Em
comparação com a diversidade de espécies
que existia até o fim do Pleistoceno (ou Era do
Gelo), cerca de 10 mil anos atrás, a família
das preguiças de hoje está mais pobre que
político sem mensalão
Reinaldo
José Lopes escreve de Águas de Lindóia
para a “Folha de SP”:
Quem
vê bichinhos plácidos e modestos como a preguiça-real
(Choloepus didactylus) agarrada a uma árvore hoje
em dia provavelmente não imagina que ela é
prima-irmã de um dos maiores mamíferos que
já habitaram a América do Sul, a grandalhona
argentina Mylodon darwinii, do tamanho de um elefante.
Esse
é um dos resultados de um estudo realizado por
pesquisadores da Universidade Federal do Pará,
que traçou a primeira árvore genealógica
completa desses mamíferos singulares.
Um
resumo do trabalho foi apresentado durante o 51º
Congresso Brasileiro de Genética por Horácio
Schneider, geneticista do campus da UFPA em Bragança.
Mais
habituado a trabalhar com as relações genéticas
e evolutivas entre os macacos sul-americanos, ele conta
que acabou estudando as preguiças por causa de
alunos que o procuraram pedindo ajuda sobre o tema.
"E
acabei me aprofundando nisso porque, de fato, é
um bicho muito simpático", diz.
Extinções
Em
comparação com a diversidade de espécies
que existia até o fim do Pleistoceno (ou Era do
Gelo), cerca de 10 mil anos atrás, a família
das preguiças de hoje está mais pobre que
político sem mensalão.
De
quase cem espécies, entre as quais animais tão
grandes ou até maiores que o M. darwinii, o grupo
-na verdade pelo menos duas famílias, as das preguiças
com três e dois dedos- ficou com apenas cinco.
Para
sua análise, os pesquisadores "leram"
as letras químicas que compõem três
genes do mtDNA (DNA mitocondrial), uma fita de material
genético proveniente das mitocôndrias, as
usinas de energia das células.
O
DNA mitocondrial passa intacto de mãe para filhas
e sofre mutações (trocas de "letras"
A, T, C e G) a uma taxa conhecida. Portanto, é
uma das ferramentas favoritas dos estudiosos de genealogia
evolutiva.
Eles
obtiveram material genético de qualidade de todas
as espécies vivas de preguiça e também
de tamanduá (esses bichos costumam ser considerados
os parentes mais próximos das preguiças).
Também
usaram dados já publicados por outros pesquisadores
sobre o DNA da M. darwinii.
Com
esse conjunto bastante abundante de dados, eles confirmaram
que os tamanduás realmente estão bem mais
próximos das preguiças do que os "primos"
seguintes na árvore genealógica, os tatus.
E,
apesar das aparências, a gigante argentina e a pequenina
brasileira ocupam "galhos" vizinhos da árvore,
afirma Schneider. (RJL)
Fonte:
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=31308