Um variedade de capim pode ajudar a deixar mais saborosos
o leite e a carne que os brasileiros consomem. Técnicos
do Instituto de Zootecnia (IZ), órgão da
Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo,
trabalham para permitir a implantação do
chamado pasto “mulato”, que também é mais
resistente que os tipos atualmente utilizados.
O
pasto “mulato” é uma variedade de “Brachiaria”
híbrida comercial do mundo. Esta mistura de espécies
é desenvolvida desde 1988 pelo Centro Internacional
de Agricultura Tropical (CIAT) da Colômbia e pelo
Grupo Papalotla, empresa mexicana responsável pelo
lançamento da variedade no Brasil. Segundo as empresas,
que vendem o produto no México, na América
Central e no Caribe, esse novo tipo de híbrido
resiste a queimadas, secas e tolera a cigarrinha-das-pastagens,
além de produzir forragem durante todo o ano.
Mas
o novo capim também traz vantagens para o consumidor.
Segundo os produtores, após ser ingerido pelo gado,
o leite tem um ganho de qualidade e a carne fica mais
saborosa, com mais proteínas, propiciando melhor
digestão.
Para
ser comercializada em território nacional, a pastagem
produzida por empresas estrangeiras precisa de autorização
do Ministério da Agricultura, que qualifica institutos
de pesquisa, como o IZ. Estes institutos realizam diversos
testes, conforme a Lei de Proteção de Cultivares,
que determina a certificação e registro
do produto. A partir daí, a empresa faz a patente
do capim para ter exclusividade.
Segundo
o diretor do Instituto de Zootecnia, Paulo Bardauil Alcântara,
as vantagens serão avaliadas e comprovadas pelo
IZ por meio de análises feitas em laboratórios
e no campo. 'São feitos testes de análise
botânica, fisiologia vegetal, sementes, DNA e também
ensaios de vaso, aceitabilidade por parte do animal, pisoteio,
produção e ganho de peso do gado”.
Ele
explica que os testes, que estão no estágio
de aceitabilidade em uma fazenda em Andradina, devem terminar
no final de 2006. 'Os resultados tem sido bastante satisfatórios'.
Mas ele alerta que a baixa produção de sementes
gera um preço ainda alto. 'São produzidas
poucas sementes devido ao número de cromossomos
diferenciados'.
O
pesquisador do instituto Waldssimiller Mattos esclarece
que a certificação final é dada ou
não à empresa somente após a fase
de aceitabilidade e constatação de melhoria
do desempenho animal, melhor acabamento (pelagem), peso
e qualidade da carne.
Esses testes também estão sendo feitos em
outros locais, que recebem as sementes gratuitamente da
empresa produtora, como é o caso da Fazenda Água
Milagrosa, em Tabapuã, interior de São Paulo.
Carlos
Prado
FONTE: http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=62035