Aberta Terceira Reunião das Partes do Protocoloco de Cartagena sobre Biossegurança


Com a presença de autoridades de 130 países e cerca de 2.500 delegados de setores representativos da sociedade, foi iniciada hoje, às 10h, em Curitiba (PR), a Terceira Reunião dos Países Membros do Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança (MOP 3).

No encontro, os participantes tomarão decisões para regular as relações entre a produção de organismos vivos provenientes da biotecnologia e o consumidor. O objetivo central é garantir aos países do acordo mecanismos de segurança preventivos contra os possíveis efeitos nocivos que os transgênicos causem à natureza e à saúde humana e animal. A preocupação se justifica. Mesmo que muitos países tenham autorizado a produção e comércio dos organismos geneticamente modificados (OGMs), como é o caso do Brasil, a preocupação resiste porque ainda não existem laudos científicos definitivos sobre o caráter benigno ou maligno da sua composição.

As discussões sobre biossegurança ocorrerão até o próximo dia 17, quando terá início o evento maior. A partir de 20 e até 31 de março as autoridades e os delegados participarão da 8 Reunião das Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP 8), que debaterá em plenitude a questão da preservação das espécies e da vida humana sobre a Terra. O Brasil é o país com maior biodiversidade de todo o planeta.

Precaução
Em discurso na abertura do MOP 3, o secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Langone, disse que o governo brasileiro respeita o Princípio da Precaução em relação aos OGMs. “Na falta de pareceres seguros da comunidade científica, nossa Constituição e nossa Lei de Biossegurança contemplam este princípio”, afirmou. “Estamos atentos e contamos com a colaboração crítica da sociedade organizada, ao ponto de termos no Conselho Nacional de Biossegurança seis membros da sociedade civil”. Segundo Langone, os participantes do MOP 3 devem trabalhar com três metas em mente: desenvolver suas economias de modo sustentável, com proteção natural, e repartir os benefícios de modo justo entre as camadas sociais.

Monsanto
O governador do Paraná, Roberto Requião, cobrou uma legislação que seja mais clara quanto à linguagem utilizada nos rótulos dos transgênicos, segundo ele, repletos de frases dúbias que, em vez de informar, confundem e induzem o consumidor ao erro. Ele aproveitou a tribuna para criticar a multinacional Monsanto, produtora de grãos modificados, e os governos que cedem às pressões da companhia. “No Paraná, nós radicalizamos. Lutamos contra as plantações de soja transgênica em nosso solo. A Monsanto não contaminou o Paraná. produção. Mesmo assim, somos o maior produtor de grãos do País”. Requião criticou parte da imprensa por, segundo ele, “defender remuneradamente a Monsanto”.

O governador pediu também mudanças na legislação internacional de patentes, “a substituta dos grilhões escravocratas”. Relacionou, por fim, providências tomadas por ele para preservar e recuperar o ambiente. “O Paraná está reduzido hoje apenas 3% da cobertura florestal que possuia a 100 anos. A Araucária quase desapareceu (menos de 1%), lutamos para salvar os pinheiros. E vamos agora proteger o que restou da Mata Atlântica”, arrematou.

Regras definidas
Presidente da MOP 3 e da COP 8, a malaia Fatimah Raya Nasron, pediu aos participantes para não saírem do evento sem estabelecer as regras e procedimentos com relação aos OGMs. Ela reconheceu que a implementação dessas regras em países emergentes é mais difícil, mas afirmou que é preciso encontrar fórmulas de equilibrar crescimento econômico com proteção às reservas naturais. “Precisamos de um acordo sobre como melhor implementar o protocolo (de Cartagena)”, disse.

Envolvimento da sociedade
O novo secretário executivo da Convenção sobre Diversidade Biológica, Ahmed Djaoghlaf, convocou as autoridades dos países que ainda não assinaram o Protocolo de Cartagena de Biossegurança a fazê-lo. Ele agradeceu ao presidente Lula e à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, pela cooperação e trabalho em prol do desenvolvimento sustentável. “Agradeço à ministra pelo apreço pela causa e pelo esforço para que o evento fosse realizado”.

Para Ahmed, porém, os resultados do evento só serão efetivos se o Poder Público buscar a parceria da sociedade civil, dos indígenas, das mulheres, da comunidade científica, do setores privados. “É importante também que os países façam um trabalho forte de educação e de intercâmbio de informações com a sociedade”, disse. “Precisamos aumentar a transparência, e ao mesmo tempo solocitar a outros países que ratifiquem e cumpram o protocolo”, acrescentou a secretária da MOP 3, Cyrie Sendashonga.
Durante a abertura dos trabalhos, foi apresentado um selo comemorativo do evento em Curitiba, lançado pelos Correios.

Rubens Amadori
Ibama/ de Curitiba

FONTE:
http://www.ibama.gov.br/novo_ibama/paginas/materia.php?id_arq=3683


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