Evandro
Fadel
Cerca de 500 produtores rurais, pecuaristas, mineradores
e proprietários de areais da região dos
Campos Gerais do Paraná se manifestaram, nesta
3a. feira (10/05), contra a criação de cinco
unidades de conservação de Mata Atlântica
no Estado. Pela manhã houve um ato em Ponta Grossa,
a cerca de 130 quilômetros de Curitiba, e à
tarde na capital paranaense. Eles protestam contra o Ministério
do Meio Ambiente, que pretende desapropriar no Paraná
pouco mais de 96 mil hectares para as unidades de conservação.
O governo do Estado já deu seu aval.
"A
nossa grande preocupação é que as
áreas atingidas são produtivas", reclamou
o coordenador da Câmara de Agricultura e Pecuária
do Conselho de Desenvolvimento de Ponta Grossa, Douglas
Taques Fonseca. "Tudo foi feito às escuras,
às pressas, sem discussão, sem audiência
pública." O Ministério do Meio Ambiente
contesta e informa que aconteceram oito consultas públicas.
Segundo
Fonseca, a existência de áreas para se criar
unidades de conservação é prova de
que os proprietários daquelas terras sempre preservaram
a natureza. "Não se pode prejudicar quem cuidou
até agora", argumentou. Os manifestantes alegam
ainda que pelo menos 30 mil pessoas perderão os
empregos.
Em
uma nota da assessoria de imprensa, o Ministério
do Meio Ambiente informou que foram feitas oito consultas
públicas nos estados do Paraná e Santa Catarina.
"A definição dos locais para a implantação
das unidades de conservação foi baseada
em estudos de campo, realizados por uma força-tarefa,
coordenada pelo MMA e pelo Ibama, formada por especialistas
em diferentes áreas, representando os três
níveis de governo, universidades e organizações
não governamentais", diz a nota.
APOIO
Ao
chegar a Curitiba o grupo encontrou cerca de 300 universitários
e ambientalistas em frente ao Palácio Iguaçu,
manifestando apoio às unidades de conservação.
Separados por um espelho d'água, os grupos trocaram
insultos.
O
governador Roberto Requião (PMDB) se reuniu com
o secretário de Biodiversidade e Florestas do MMA,
João Paulo Capobianco, e não recebeu os
manifestantes. "O governo do Estado entende que um
meio ambiente em equilíbrio é também
condição fundamental para aumento de produção",
disse o secretário de Estado do Meio Ambiente,
Luiz Eduardo Cheida.
Segundo
ele, metade dos cerca de 96 mil hectares não pode
ser usada para produção, pois se trata de
áreas públicas, de proteção
ambiental ou reservas legais. E em algumas não
será eliminada de toda a produção
agrícola ou madeireira. "O que há é
uma clara falta de esclarecimento", argumentou. Cheida
nega que 30 mil pessoas ficarão desempregadas em
Ponta Grossa. "As desapropriações ali
abrangem só 30 propriedades", justificou.
Pelo
projeto, o Parque Nacional dos Campos Gerais, que engloba
áreas em Ponta Grossa, Castro e Carambeí,
terá 21.749 hectares. A Reserva Biológica
das Araucárias terá 16.075 hectares entre
os municípios de Teixeira Soares, Imbituva e Ipiranga.
Com 31.700 hectares, o Refúgio da Vida Silvestre
do Rio Tibagi estende-se por Ponta Grossa, Palmeira, Imbituva,
Teixeira Soares e Ipiranga.
Na
região sul do Estado está prevista a criação
da Reserva Biológica das Perobas, entre Tuneiras
do Oeste e Cianorte, com 11 mil hectares; e no sul, o
Refúgio da Vida Silvestre dos Campos de Palmas,
com 16.445 hectares nos municípios de Palmas e
General Carneiro.
FONTE:
http://www.cruzeironet.com.br/run/5/171377.shl