Árvore
comum no Brasil, o pau-ferro (Caesalpinia ferrea
Martius) tem seu caule utilizado em chás para combater
problemas de estômago e intestino. Ao pesquisar
os efeitos farmacológicos da espécie, a
bióloga Fabiana Gaspar Gonzalez descobriu que a
folha da árvore tem maiores índices de redução
de úlceras que o caule. O estudo, feito em modelos
de lesões gástricas agudas, aponta que a
eficácia da folha também é superior
a medicamentos para úlcera existentes no mercado.
Os
resultados da pesquisa, feita em ratos, são descritos
em tese de Doutorado apresentada na Faculdade de Ciências
Farmacêuticas (FCF) da USP. "Os animais receberam,
por via oral, extratos hidroetanólicos 70% do caule
ou da folha e, posteriormente, uma solução
de ácido clorídrico (HCl) e etanol para
induzir a úlcera", conta Fabiana. "O
extrato da folha reduziu em 81% a área relativa
de lesão, contra 37% do caule."
A
eficiência da folha também foi comparada
com a de dois medicamentos usados no tratamento de úlceras
gástricas, o Misoprostol e a Cimetidina. "No
caso do Misoprostol, a redução da área
total da lesão foi de 92%, enquanto o extrato da
folha obteve 95%", compara a bióloga. "O
índice de lesão ulcerativa caiu 63% com
a folha, enquanto o Misoprotol reduziu este nível
em 59%."
Proteção
De acordo com Fabiana, a pesquisa indica que a folha do
pau-ferro possui efeito protetor contra úlcera.
"Novas experiências vão determinar o
mecanismo de ação do extrato no organismo
e se possui toxicidade", explica. "A descoberta
das substâncias que causam efeito protetor gástrico
poderá servir para criar medicamentos que serão
testados em animais e seres humanos antes de chegarem
ao mercado."
Segundo
a pesquisadora, o uso das folhas é importante no
aspecto ecológico. "Dependendo da quantidade
de caule extraída, a espécie pode ser comprometida,
o que não acontece com as folhas." As amostras
utilizadas no estudo foram coletadas de árvores
da Cidade Universitária, em São Paulo. "Depois
de secas, elas foram percoladas (filtradas) em etanol
70% e, posteriormente, liofilizadas (secas).
A
bióloga aponta que o pau-ferro é comum em
todo o País. "Apenas o caule, porém,
é usado em infusões e decocções
para distúrbios gastrointestinais, asma, hemorróidas
e como cicatrizante, especialmente no Norte e Nordeste".
O
estudo também verificou se o pau-ferro possuía
efeito cicatrizante. "Nos testes com ratos, extratos
da folha e do caule do pau-ferro não tiveram nenhum
efeito ao serem aplicados topicamente em lesões
induzidas na região dorsal", conta Fabiana.
"Entretanto, outros modelos experimentais devem ser
realizados para que se possa realmente descartar tal atividade".
FONTE:
http://www.usp.br/agen/repgs/2005/pags/148.htm