Idéia
é combater malária
Ricardo
Bonalume Neto escreve para a “Folha de SP”:
Mosquitos
machos com aparelho sexual fluorescente serão a
mais nova arma contra a malária, segundo estudo
a ser publicado em novembro da revista científica
"Nature Biotechnology".
Mesmo
com as suas gônadas brilhando no escuro, esses mosquitos
conseguiram atrair e copular em laboratório com
fêmeas, as verdadeiras bandidas da espécie.
Pois só as fêmeas do gênero Anopheles
chupam sangue e transmitem o micróbio da malária.
Teoricamente
seria possível tentar diminuir a população
de mosquitos soltando bichos esterilizados na natureza,
como já se faz com moscas que afetam a agricultura.
Mas
mesmo uma fêmea estéril chupa sangue e pode
inocular uma pessoa com o plasmódio, o ser que
causa a malária.
O
ideal seria lançar no ambiente apenas machos estéreis.
Mas a questão básica era descobrir como
distinguir machos de fêmeas para produzi-los em
massa.
A
resposta está em artigo escrito por Andrea Crisanti,
do Imperial College, de Londres, e mais dois colegas.
Eles
conseguiram modificar geneticamente o mosquito de modo
a incorporar genes de bioluminescência nas gônadas,
para que já estejam visíveis mesmo durante
o estágio de larva do mosquito.
Isso
tende a facilitar muito a produção em "fábricas
de mosquito", ainda mais com máquinas capazes
de separar as larvas masculinas e femininas.
É
um avanço que torna mais aceitável a soltura
de mosquitos transgênicos.
Como
dizem os autores, "foi proposto que, para minimizar
os riscos de obter uma avaliação segura
da tecnologia de transferência de genes em mosquitos
para controle da malária, um primeiro lançamento
de insetos transgênicos deveria envolver só
mosquitos machos estéreis".
Fonte:
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=32208