A
população percebe os reflexos de desequilíbrios
da natureza no dia-a-dia. Uma caminhada pelos supermercados,
varejões ou feiras e as pessoas notam a variação
dos preços, a alteração na qualidade
de frutas e hortaliças ou ainda a escassez de um
ou outro produto. Mas o consumidor nem sempre relaciona
esses problemas com o início da cadeia produtiva,
lá no campo. Ou melhor, no solo, que acolhe as
culturas e as fazem germinar e desenvolver.
Dia 15 de abril é Dia da Conservação
do Solo e, embora, existam conquistas a comemorar, a preocupação
nessa área ainda é grande. “Por muito tempo,
conservar o solo significou apenas controlar a erosão,
que é a principal causa da degradação
dos solos e da redução de sua capacidade
produtiva. Atualmente, o conceito de conservação
inclui também a manutenção da qualidade
das propriedades do solo, inclusive a fertilidade, assegurando
que ele cumpra sua função”, explica a pesquisadora
do Instituto Agronômico (IAC), Isabella Clerici
De Maria. O solo - gerador de tantos produtos indispensáveis
para a humanidade - vem sofrendo impactos desde o início
da atividade agropecuária, da industrialização
e pela urbanização desordenada. Na agricultura,
a erosão e a poluição o maltratam
pelo manejo inadequado. Embora os efeitos da erosão
e a necessidade de conservação do solo sejam
reconhecidos a longo tempo e por grande parte da população,
a situação atual ainda está longe
do ideal e muito ainda precisa ser feito para reduzir
a erosão e seus efeitos.
No IAC, a pesquisa voltada para a conservação
do solo começou em 1943. Com estudos e os avanços
tecnológicos, problemas e soluções
foram mudando ao longo do tempo, mas os desafios ainda
persistem, segundo a pesquisadora. A preservação
do solo e da água depende da incorporação
de tecnologias e práticas conservacionistas aos
sistemas de produção já instalados.
É necessária a adoção de ferramentas
que possam ter aplicação ampla na atividade
agrícola de pequenos, médios e grandes agricultores.
O mais interessante é que é possível
obter significativos resultados com práticas simples
e de baixo custo. “A manutenção de cobertura
vegetal sobre o solo em maior quantidade e maior tempo
possível é a coisa mais simples e mais eficiente
para se conservar o solo”, afirma Isabella.
A substituição do plantio convencional pelo
sistema de plantio direto é a principal orientação
na busca pela agricultura sustentável. Trata-se
da troca do uso de práticas mecânicas, como
aração e gradagem, que movimentam excessivamente
o solo e deixam a superfície descoberta, pelo método
do plantio direto, que por meio da cobertura morta sobre
o solo, valoriza suas características físicas,
orgânicas e biológicas, preserva a água
e evita a erosão.
Experimentos realizados pelo IAC sobre as relações
entre a erosão do solo e sua produtividade mostraram
que alterações no conteúdo de carbono
orgânico e o pH puderam ser claramente atribuídas
à erosão. “Por causa da erosão o
solo ficou mais ácido e com menor conteúdo
de matéria orgânica”, diz Isabella.
O tempo é um fator importante na saúde do
solo, que não chega a ficar inutilizável,
mas perde sua capacidade produtiva dependendo do período
que ficar sendo erodido e do grau de erosão. “Um
solo razoavelmente resistente à erosão,
sem práticas conservacionistas, pode perder cerca
de 10 cm em 15 anos. O solo pode perder cerca de 10 a
20% da capacidade produtiva, mas vai continuar produzindo
por que o agricultor vai colocar insumos para superar
essa perda”, avalia a pesquisadora do IAC.
Diante de processos visíveis, como sulcos, ravinamento
e voçorocas, fenômenos que impactam diretamente
a produção, prejudicam estradas e assoreiam
reservatórios em períodos curtos, o produtor
não tem outra alternativa a não ser adotar
medidas de controle. Mas já com problemas não
visíveis, como erosão laminar, a maior responsável
pelo arraste de sedimentos, os agricultores não
costumam agir no combate.
O que o agricultor sempre percebe é o aumento dos
custos de produção, causado pela falta de
conservação do solo. “O produtor tem que
consertar os problemas causados por erosão ou acaba
tendo que gastar mais dinheiro para repor sementes e fertilizantes
perdidos pela erosão”, diz Isabella.
Resultados IAC
O IAC vem dando suas contribuições para
amenizar esse problema e uma das principais são
os ensaios permanentes, que ficam por longo período
no campo. Hoje, objetivo da pesquisa é o desenvolvimento
tecnológico do sistema plantio direto, a fim de
aumentar sua adoção pelos agricultores.
As pesquisas no IAC são orientadas no sentido de
decifrar o processo erosivo e os parâmetros que
o controlam a fim de propor soluções. Esses
estudos envolvem, por exemplo, compactação
do solo, uso de chuva natural e de simulador de chuvas,
além de modelos matemáticos que descrevem
o processo erosivo. Com essas pesquisas é possível
apontar a causa da erosão e onde ela está
ocorrendo. “O IAC teve grande contribuição
na pesquisa em erosão. A maior parte dos dados
existentes sobre perdas foi gerada aqui.”
Sociedade
Engana-se quem pensa que conservar o solo é problema
de quem vive no campo. Os benefícios com conservação
do solo e da água alcançam a sociedade em
geral por proporcionar avanços quantitativos e
qualitativos da oferta de água. A pesquisadora
Isabella afirma que a falta de conservação
provoca o assoreamento, a redução da capacidade
de reter e conduzir água, gera enchentes, reduz
o tempo de vida dos reservatórios, prejudicando
a geração de energia elétrica ou
reduzindo o volume de água para irrigação
e abastecimento público.
Em áreas urbanas, a percepção da
erosão é bastante restrita, apesar de a
preocupação ambiental na sociedade ser crescente.
Levantamento recente mostrou que a maior parte das grandes
erosões no Estado de São Paulo está
relacionada a estradas. Na avaliação da
pesquisadora, mais educação e treinamento
em todos os níveis poderiam ajudar.
Os agricultores estão fazendo a sua parte. Segundo
Isabella, cada vez mais eles têm consciência
da necessidade de conservação do solo e
para isso vêm adotando tecnologias nessa área.
É o caso do crescimento da utilização
do sistema plantio direto, o sistema mais conservacionista.
Da Assessora de Imprensa - IAC
FONTE:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.php?id=72489