Onde
nascem os tubarões
No litoral central de São Paulo, acaba de ser encontrado
um lugar muito especial: uma área usada por várias
espécies de tubarão para terem seus filhotes.
Localizada entre as cidades litorâneas de Praia
Grande e Peruíbe, ela é utilizada por esses
animais como berçário porque, sendo uma
região costeira, oferece naturalmente proteção
contra predadores de mar aberto -- como tubarões
de grande tamanho -- e tem também abundância
de alimentos como pequenos peixes ou camarões.
"Descobrir uma área como essa significa encontrar
um lugar importante para a vida dos tubarões",
explica Otto Bismarck Fazzano Gadig, coordenador do Projeto
Cação e da equipe que localizou o berçário.
Em lugares como o identificado no litoral paulista, a
pelo menos um quilômetro da costa, os filhotes de
tubarão nascem e permanecem por algum tempo para
ganhar peso e tamanho. Os animais só saem dali
quando estão fortes o suficiente para enfrentar
o mar.
É a primeira vez que um berçário
desse tipo é encontrado no Brasil. Para que a identificação
fosse possível, Otto e sua equipe de pesquisadores
-- composta por Fábio Santos Motta e Rafael Cabrera
Namora -- precisaram observar o local por mais ou menos
seis anos. Só depois de muita pesquisa foi possível
chegar à conclusão de que o local é
usado por cerca de cinco espécies de tubarão,
como o tubarão-martelo e o pintadinho.
Mais duas espécies identificadas no berçário:
tubarão-salteador (no alto -
Carcharhinus limbatus) e tubarão-pintadinho (Rhizoprionodon
porosus)
Embora
seja próprio para recém-nascidos, o berçário
identificado em São Paulo é freqüentado
também por alguns animais adultos. Em geral, são
fêmeas que estão na hora do parto ou machos
que querem acasalar, o que não representa ameaça
para os filhotes.
Segundo os pesquisadores do Projeto Cação,
é provável que centenas de outros berçários
de tubarão existam na costa do Brasil, mas eles
ainda não foram devidamente identificados por falta
de pesquisas. Muitos desses berçários devem
abrigar várias espécies de tubarão,
algumas até ameaçadas de extinção.
Hoje, eles são desconhecidos, mas, quem sabe, a
partir desta descoberta, outros berçários
possam ser identificados, estudados e protegidos?!
FONTE: http://www2.uol.com.br/cienciahoje/che/tubar.htm