Por
Eduardo Geraque, de Curitiba
Agência FAPESP - Os pesquisadores ainda não
sabem o motivo da atração dos morcegos da
Caatinga de Pernambuco pelas flores da região.
Mas ninguém duvida de que esse processo biológico
entre planta e animal ocorra de forma bastante freqüente.
“Os resultados dos nossos estudos chegam a surpreender”,
conta Isabel Cristina Machado, pesquisadora da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE), à Agência FAPESP.
Em três pontos específicos da Caatinga analisados,
os morcegos foram responsáveis por 13,1% dos processos
de polinização das plantas. “Não
se sabe ainda o motivo e muito menos se isso é
válido para toda a região.”
A espécie de morcego que mais bebe o néctar
das flores do interior de Pernambuco é a Glossophaga
soricina, presente em 87,5% dos casos. Das oito plantas
que foram acompanhadas pela equipe da UFPE, sete receberam
a visita desse animal específico. Em seis tipos
de plantas, apenas esse mamífero voador, e mais
nenhum outro animal, carregou os pólens entre exemplares
da mesma espécie.
“Os morcegos demonstraram ter preferência por cores
pálidas, como o branco, verde claro e assim por
diante. Nenhuma das cores era muito vistosa”, explica
Isabel, que está preparando os resultados, que
fazem parte de um estudo bem mais amplo, para publicação.
As famílias de plantas mais visitadas foram a Capparaceae
e a Leguminosae.
Apesar de os dados de polinizadores para a Caatinga ainda
serem escassos, é possível perceber que,
no caso específico de Pernambuco, a participação
dos morcegos é muito significativa, segundo Isabel.
Foram registradas as visitas de 22 espécies diferentes
pelos pesquisadores da UFPE, enquanto na Mata Atlântica
outros estudos já realizados relatam, no máximo,
a presença de 16 táxons. “Além disso,
em florestas úmidas, a participação
dos morcegos conhecida até agora é de apenas
3,6%”, explica a pesquisadora, que esteve em Curitiba
no 56º Congresso Brasileiro de Botânica.
Fonte:
http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?id=4481