“O
palmiteiro (Euterpe edulis) é a espécie
nativa do Brasil mais bem conhecida atualmente do ponto
de vista científico. E o que isso significou até
agora para a conservação da espécie?”
A
questão foi lançada por Ademir Reis, professor
da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que
já passou bons anos de sua vida no meio da mata,
estudando as palmeiras do Sul e do Sudeste do país.
Melhor
que uma resposta direta é apresentar outra frase
do cientista, que participa, em Curitiba, do 56º
Congresso Brasileiro de Botânica. “Não vejo
outra saída. Para que as coisas ocorram, os pesquisadores
precisam gerar também, de forma direta, políticas
públicas que apóiem a conservação”,
afirma.
Para
ele, não são apenas as pesquisas convencionais
que não resolvem o problema. “Legislação
também não resolve nada. Da forma como ela
está, e isso é provado, nenhum pequeno produtor,
por exemplo, consegue sobreviver. As churrascarias de
SP se orgulham dos palmitos enormes que vendem aos clientes.
Será que existe uma fiscalização
correta sobre a origem desse produto?”
Segundo
Reis, nenhuma solução será totalmente
efetiva se as políticas públicas, feitas
com a participação da academia, não
levarem em conta as pequenas comunidades. Um dos exemplos
práticos, que mostra como a ciência pode
se aproximar da sociedade, vem exatamente de Santa Catarina.
“O
açaí, para alguns produtores do Estado,
está se mostrando uma boa perspectiva”, aponta.
Como as comunidades precisam da palmeira em pé
para que o fruto possa ser colhido ao longo dos anos,
a preservação passa a ocorrer de forma quase
natural.
No
caso catarinense, a cultura do açaí, que
começou meio por acaso, quando outro pesquisador
resolveu trazer uma máquina para processar o fruto
do Norte do país, está sendo subsidiada
também cientificamente pelos pesquisadores da UFSC.
“É
fundamental que sejam feitas pesquisas com aplicação
prática. Não adianta apenas produzir artigos
para publicação em revistas de grande impacto
científico do exterior. Isso é importante,
claro, mas também temos que ir para as ruas”, diz
Reis.
(Eduardo Geraque)
Fonte:
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=32258