De
20 a 31 de março, acontece em Curitiba (PR) um
dos eventos mais importantes na área de meio ambiente.
A fim de orientar a sociedade civil a participar efetivamente
da 8ª Conferência das Partes (COP 8) da Convenção
sobre Diversidade Biológica (CDB), o Ministério
do Meio Ambiente (MMA) elaborou um guia com informações
básicas sobre o encontro. Anthony Gross, do MMA,
explica que a publicação é “uma tentativa
modesta de fornecer informações para as
pessoas envolvidas com atividades que possam ter algum
impacto na Conferência”. Ele destaca a importância
do guia para setores como grupos indígenas, comunidades
tradicionais, ONGs, imprensa e universidades. Com o nome
"A Convenção sobre Diversidade Biológica:
Entendendo e Influenciando o Processo", a publicação
está disponível em formato pdf, clique
aqui.
A idéia do guia é oferecer instrumentos
para que as pessoas interessadas no tema sejam capazes
de apresentar suas próprias posições
e interesses durante a COP 8. Uma das preocupações
da Convenção sobre Diversidade Biológica
é ser um fórum mundial que represente os
interesses locais de comunidades detentoras de conhecimentos
tradicionais. Para isso, esses grupos precisam de conhecimentos
adequados para atuarem de forma eficaz no processo.
“O guia tem como objetivo fazer com que as pessoas entendam
o que é a Convenção, o que são
as Conferências e a importância da transversalidade,
ou seja a importância da participação
de toda a sociedade nas negociações",
diz Gross.
A publicação traz informações
e dicas de como apresentar idéias durante o encontro.
Para ganhar força na defesa de suas idéias,
por exemplo, o guia recomenda apresentá-las em
conjunto com outras pessoas e/ou organizações,
fornecer cópias para os intérpretes com
antecedência, falar devagar e claramente além
de fazer intervenções curtas.
A 8ª Conferência das Partes faz parte de todo
um esforço internacional para implementar os compromissos
assumidos em 1992 pelos países que assinaram a
Convenção sobre Diversidade Biológica.
Desde a criação da Convenção
- ocorrida durante a Conferência das Nações
Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ECO 92),
realizada no Rio de Janeiro (RJ) - 187 países e
um bloco regional se comprometeram a cumprir três
objetivos básicos: conservar a diversidade biológica
mundial; usar de forma sustentável os recursos
naturais e dividir de forma justa os benefícios
resultantes do uso de recursos genéticos.
Assim como todas as sete conferências que já
foram realizadas, a COP 8 busca contribuir para colocar
em prática esses princípios da Convenção.
Cada parte - ou país signatário - constrói
suas estratégias nacionais para proteger a biodiversidade,
sendo as conferências um espaço para a discussão
sobre as ações e trabalhos práticos
que devem ser realizados em cada país.
Neste ano, são esperados pelo menos 100 ministros
de meio ambiente e cinco mil pessoas de 187 países,
além de representantes dos principais organismos
internacionais, organizações acadêmicas
e não-governamentais, empresariado e comunidades
indígenas. Serão abordados temas como diversidade
biológica das ilhas oceânicas e das terras
áridas e sub-úmidas; educação
e conscientização ambiental; conhecimentos
tradicionais de populações locais e estratégias
para diminuir os índices de perda de biodiversidade
no mundo.
Groos conta que, na última conferência, em
Kuala Lampur, capital da Malásia, o destaque foi
para a criação de um Programa de Trabalho
para Áreas Protegidas. Já em 2006, a expectativa
é com relação à questão
das ilhas oceânicas, tão importantes para
muitos países, inclusive o Brasil. Outra preocupação
é quanto ao tema do uso de recursos genéticos.
Em vigor desde 1993, a Convenção sobre Diversidade
Biológica ainda enfrenta alguns obstáculos
para a sua implementação plena como a escassez
de recursos financeiros e técnicos bem como a falta
de uma compreensão melhor dos tomadores de decisão
sobre a importância da biodiversidade. Entretanto,
houve avanços na elaboração de planos
e programas em áreas como: biossegurança,
combate à biopirataria, turismo sustentável
e acesso aos recursos genéticos.
O Brasil, por exemplo, em 2001, alterou a legislação
sobre recursos genéticos, estabelecendo regras
para o acesso ao patrimônio existente no país.
A partir da Medida Provisória nº 2.186-16,
o acesso a esses recursos genéticos passou a depender
da deliberação do Conselho de Gestão
do Patrimônio Genético (CGEN), ficando sujeito
à repartição de benefícios,
nos termos e nas condições legalmente estabelecidos.
Além da COP 8, Curitiba (PR) também será
sede da Reunião das Partes do Protocolo de Cartagena
sobre Biossegurança (MOP 3), que acontece de 13
a 17 de março. A realização de ambos
os encontros no Brasil é uma oportunidade para
se promover um maior envolvimento de diferentes setores
da sociedade brasileira em questões ligadas à
biodiversidade, denunciar problemas, apresentar experiências
bem sucedidas no país na gestão da biodiversidade,
formar novas parcerias internacionais, além de
destacar a importância política da biodiversidade
brasileira e sul-americana.
Segundo informações disponíveis no
guia, sediar reuniões como essas “resultarão
na aprovação de importantes decisões
de grande interesse para o país e de grande repercussão
internacional”. Para Gross, proteger a biodiversidade
mundial em equilíbrio com o desenvolvimento social
e econômico dos países é uma meta
que só pode ser alcançada com a participação
de toda a sociedade. "A Conferência busca agregar
os diversos atores da sociedade nas decisões da
Convenção”, explica Gross. Mas para que
todos possam atuar e contribuir para o processo é
preciso ter um mínimo de conhecimento sobre o processo
da Convenção. A existência do guia
torna-se, então, fundamental.
Além de estar disponível para Downloads
nesta página, quem tiver interesse também
pode solicitar o material através do email cop8cdb@mma.gov.br.
Desde outubro, quando foi elaborado o Guia, diversas reuniões
de grupos e órgãos ligados à Convenção
foram realizadas. A fim de incorporar na publicação
as novas informações geradas nesses encontros,
o MMA pretende produzir uma nova versão do guia
para março.
Joana Moscatelli
FONTE: http://arruda.rits.org.br/