Site agrupa dados sobre saúde na Amazônia


Portal do Observatório da Saúde da Amazônia Legal reúne informações sobre epidemias e infra-estrutura médica nos nove Estados da região.

Um site com informações sobre saúde na região amazônica acaba de entrar no ar, dentro do portal do Ministério da Saúde. A página, ainda em construção, vai trazer dados sobre as epidemias, investimentos e infra-estrutura do sistema de atendimento médico local. O objetivo é facilitar o desenvolvimento e a aplicação de ações na área de saúde na Amazônia, onde as grandes distâncias, a dispersão da população e as dificuldades de comunicação e deslocamento dificultam os tratamentos médicos.

A página na internet é do Observatório da Saúde da Amazônia Legal, parte de um projeto maior do ministério que visa fornecer bases técnicas, por meio do recolhimento e da análise de informações, para o trabalho do Plano Saúde Amazônia. Esse programa visa integrar as ações de saúde pública nos nove Estados da chamada Amazônia Legal (todos os da região Norte, mais partes do Mato Grosso e do Maranhão). Entre seus objetivos, destacam-se: a adequação das ações de gestão na área de saúde da família; a implementação de um modelo de financiamento; a ampliação e a qualificação do ensino profissional em saúde; a revisão das formas de atendimento à população indígena; o estímulo ao desenvolvimento de medicamentos a partir de plantas; a melhoria dos serviços de saneamento; e a instalação de serviços médicos de alta complexidade, para reduzir a dependência de centros externos.

“O Observatório não é algo independente. Ele só existe porque o Plano Saúde Amazônia existe”, explica a analista do SIPAM (Sistema de Proteção à Amazônia) Ana Cláudia Nogueira. O SIPAM é um parceiro no desenvolvimento do Observatório. Por já ter uma infra-estrutura montada na região, ele foi procurado pelos técnicos do ministério para ajudar na iniciativa. Dessa maneira, os três centros do SIPAM na Amazônia — em Manaus, Belém e Porto Velho — tornaram-se centros também do Observatório da Saúde.

Para começar os trabalhos, foi escolhido o Projeto Piloto da BR-163 Sustentável *, uma área prioritária para o governo federal. Os técnicos do SIPAM fizeram um levantamento de todos os 71 municípios do entorno da estrada e, a partir daí, recolheram dados sobre as doenças que afetam essas cidades — como malária, hanseníase, febre amarela e leptospirose — e sobre a quantidade e a qualidade de seus sistemas de saúde.

*A BR-163 é uma estrada federal que liga Santarém, no Pará, a Cuiabá, no Mato Grosso. Construída durante o governo Médici, durante a ditadura militar, gerou intensos problemas de desmatamento e de ação de grileiros na região. Agora, o governo federal planeja transformar a rodovia e os 71 municípios de seu entorno em um exemplo de ocupação sustentável, para que a população possa se desenvolver sem afetar o equilíbrio ambiental.

Parte das informações, apenas as quantitativas, já estão no site. Agora, de acordo com Ana Cláudia, a intenção é que cada um dos três centros do Observatório faça um mesmo levantamento sobre suas áreas de abrangência e disponibilizem esses dados.

Com essas informações, não apenas o Ministério da Saúde, mas todas as três esferas de governo poderão trabalhar melhor a gestão desses serviços na região. Por meio delas, poderão ser feitos mapas com a localização exata de cada unidade de saúde, para facilitar o deslocamento das equipes médicas em meio à floresta. Também poderá ser montado um banco de dados com todas as pesquisas em saúde feitas na Amazônia Legal.

Com o portal, poderão ser feitas teleconferências e conversas, através da internet, para troca de informações médicas. Os profissionais que têm acesso à rede poderão acessar relatórios de seminários e encontros de saúde ou pesquisar na biblioteca teses e livros com dados atualizados sobre a Amazônia.

O SIPAM também trabalha com o ProVárzea/Ibama (Programa de Apoio ao Manejo dos Recursos Naturais da Várzea), um projeto que conta com o apoio do PNUD, para desenvolver um Sistema de Informações Geográficas para a região da Amazônia.

FONTE:
http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=1324&lay=mam


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