ONGs
apresentam proposta para criminalizar importação
de madeira ilegal. No Brasil, Greenpeace promove programa
Cidades Amigas da Amazônia.
Bruxelas
(Bélgica), Manaus (AM) e São Paulo (SP)
– As organizações ambientalistas Greenpeace,
FERN e WWF apresentaram hoje proposta para criminalizar
as importações de madeira ilegal pela Europa
(1) e promover o manejo florestal sustentável em
todo o mundo. Esta proposta de legislação
complementa o Plano de Ação da Comissão
Européia para combater a exploração
e o comércio de madeira ilegal como parte do processo
FLEGT – sigla em inglês para “Implementação
da Legislação Florestal, Governança
e Comércio”. O primeiro pacote de medidas será
discutido pelos ministros da agricultura da União
Européia no próximo dia 21 de dezembro.
A recomendação das ONGs expande a proposta
original da Comissão Européia, apresentada
em julho de 2004, que prevê sanções
legais apenas no caso de importações de
países produtores que assinarem acordos bilaterais
com a UE. Já a legislação sugerida
pelas ONGs criminaliza a exploração e o
comércio de madeira ilegal em todo o mundo, permitindo
punições em casos de abuso na utilização
de documentos de origem da madeira como, por exemplo,
ausência de notificação de importação,
declaração falsa ou falsificação
de documentos. O documento propõe ainda que o manejo
florestal sustentável seja desenvolvido em cooperação
com países produtores de madeira como o Brasil.
“Se a União Européia ampliar sua legislação
para incluir todas as importações de madeira
– e não apenas as dos países que assinarem
acordos bilateriais – estará dando um exemplo para
outros centros consumidores e um forte sinal para os produtores
e exportadores de todo o mundo: o mercado europeu estará
fechado para a ilegalidade”, disse o coordenador do Greenpeace
na Amazônia, Paulo Adario. “Isso será não
uma barreira comercial, mas uma forte contribuição
a governos, como o brasileiro, que enfrentam dificuldade
para fazer com que madeireiros cumpram as leis nacionais,
e vai gerar um ciclo virtuoso: empresas que respeitam
as leis – inclusive as ambientais -, que pagam impostos
e geram empregos decentes terão finalmente condições
de crescer e competir pelo mercado europeu”, completou
Adario.
A Europa foi o maior importador de madeira amazônica
entre janeiro e outubro de 2004, representando 38.7% das
exportações da região. As importações
européias de madeira da Amazônia alcançaram
US$ 290 milhões até outubro, com um volume
superior a 830 mil toneladas. A grande maioria da madeira
explorada na Amazônia é ilegal – o que também
ocorre com outros produtores de madeira tropical, como
a Indonésia, a África e a Papua-Nova Guiné.
“A indústria madeireira enfrenta um futuro incerto
se fracassar em resolver a questão da exploração
e comércio ilegais de madeira. Estas atividades
criminosas destróem as florestas e ameaçam
não apenas o meio ambiente, mas também o
modo de vida de milhões de pessoas que dependem
das florestas para viver (2)”, disse Beatrix Richards,
da WWF.
Mas não basta regular o mercado internacional de
madeira se o mercado interno continuar a absorver a maderia
ilegal. Para reduzir o comércio de madeira de origem
ilegal no mercado brasileiro, o Greenpeace criou o programa
Cidades Amigas da Amazônia. O objetivo do programa
é incentivar municípios a adotarem legislações
locais que proíbam o consumo de madeira de origem
criminosa pelas prefeituras. Ontem (13/12), a Câmara
de Vereadores de Piracicaba (SP) aprovou, por unanimidade,
projeto de lei (3) que estabelece critérios para
as compras de madeira e contratações de
serviços – tais como obras públicas, tornando-se
a segunda “Cidade Amiga da Amazônia”. O município
de Botucatu (SP) aprovou legislação semelhante
no final de novembro.
"Esta legislação municipal complementa
a Lei de Licitações no item madeira”, explica
Rebeca Lerer, coordenadora do programa Cidade Amiga da
Amazônia. “É uma forma concreta de combater
a exploração ilegal e predatória
de madeira amazônica, transformando o poder de compra
das prefeituras em política ambiental".
Links
• A proposta de regulamento apresentada pelas ONGs está
disponível (em inglês): http://eu.greenpeace.org/downloads/forests/RegulationNGO.pdf
• FLEGT (Forest Law Enforcement, Governance and Trade,
ou Implementação da Legislação
Florestal, Governança e Comércio) – Proposta
para Plano de Ação da União Européia,
de 21/05/2003 (em inglês): http://europa.eu.int/eurlex/en/com/cnc/2003/com2003_0251en01.pdf
• Veja íntegra da declaração assinada
por 150 organizações em: www.greenpeace.org.br/amazonia/pdf/timber_imports.pdf
Notas:
(1) Estima-se que metade das importações
de madeira tropical pela União Européia
seja proveniente de fontes ilegais (Amigos da Terra).
Outras 150 organizações da sociedade civil
apoiam esta iniciativa.
(2) De acordo com o relatório do Banco Mundial,
“Sustaining Forests”, mais de 1,2 bilhão de pessoas
dependem das florestas para viver. A declaração
assinada pelas ONGs sugere que a sociedade civil esteja
totalmente envolvida no desenvolvimento de acordos de
parceria para propor soluções e promover
o manejo florestal responsável, bem como medidas
nas áreas de cooperação fiscal, investimento
e políticas públicas de compra.
(3) Confira a íntegra das leis aprovadas em Piracicaba
e Botucatu em www.greenpeace.org.br/cidadeamiga/leis.php.
As cidades de Campinas, São José dos Campos,
Sumaré, São Carlos e Sorocaba, todas no
estado de São Paulo, estão comprometidas
com o programa. Para tornar-se uma “Cidade Amiga da Amazônia”,
a administração deve formular leis municipais
que exijam quatro critérios básicos em qualquer
compra ou contratação de serviço
que utilize madeira produzida na Amazônia: proibir
o consumo de mogno, uma espécie ameaçada
de extinção; exigir, como parte dos processos
de licitação, provas da cadeia de custódia
que identifiquem a origem da madeira; dar preferência
à madeira proveniente de planos de manejo sustentável,
inclusive madeira certificada pelo Conselho de Manejo
Florestal (FSC); e orientar construtores e empreiteiros
a reduzir o consumo de madeira nas obras públicas.
FONTE: http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=139001