O governador Geraldo Alckmin instituiu, neste dia 15/02,
véspera do primeiro dia de vigência do Protocolo
de Kyoto, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas
Globais e de Biodiversidade, em evento no Horto Florestal,
que contou com expressivo apoio de todos os segmentos
da sociedade, de todo o país, que estiveram presentes.
Ao
lado do grande número de jornalistas e dos representantes
da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, como o secretário,
prof. José Goldemberg, e a secretária-adjunta,
Suani Teixeira Coelho, estiveram prestigiando a cerimônia,
também, o vice-governador, Cláudio Lembo,
o prefeito de São Paulo, José Serra, o ex-presidente
Fernando Henrique Cardoso, os empresários Antonio
Ermírio de Moraes e Israel Klabin, o ex-ministro
Celso Lafer, o deputado estadual Arnaldo Jardim, o coordenador
de Meio Ambiente do Ministério da Ciência
e Tecnologia, José Domingos Gonzalez Miguez, o
diretor geral do Departamento de Meio Ambiente e Temas
Especiais do Ministério das Relações
Exteriores, Éverton Vieira Vargas, o representante
da Bolsa de Mercadoria e Valores, Guilherme Magalhães
Fagundes e o assessor de meio ambiente da FIESP, Eduardo
San Martin, além de representantes de diversas
ONGs, como o Greenpeace.
O
presidente do Fórum é o próprio governador
Geraldo Alckmin, sendo o seu secretário-executivo,
o Dr. Fábio Feldmann. Entre as primeiras resoluções
estruturais sugeridas no evento de hoje, definiu-se que
o Fórum terá pelo menos duas comissões,
a de Clima e a de Bbiodiversidade, além de câmaras
temáticas. O principal objetivo do Fórum
é a conscientização e a mobilização
de todos os segmentos da sociedade paulista para os problemas
de mudanças climáticas e da perda alarmante
de biodiversidade.
O
governador Geraldo Alckmin lembrou que os primeiros passos
do Estado de São Paulo nessa direção
foram a edição do decreto instituindo o
Fórum, de nº 49.369, publicado no Diário
Oficial do Estado no último dia 12/02, e a constituição
do Fórum "que hoje inclusive já realizou
sua primeira reunião de trabalho, para estabelecer
políticas ambientais".
Como
exemplo de outras ações do Governo de São
Paulo, Alckmin citou que até 2009 deve acontecer
uma expansão da produção de álcool
em até 50%, lembrando que, em termos de aumento
do consumo de álcool com o uso de veículos
bicombustível, no ano passado, houve um acréscimo
de 10%. O governador também recordou as obras de
ampliação do Metrô, contribuindo para
substituir o uso do automóvel individual e mesmo
dos ônibus. Com relação a estes últimos,
entretanto, Alckmin ainda destacou a sua conversão
para o gás natural. O aproveitamento do bagaço
de cana-de-açúcar na geração
de energia e o incentivo do Estado de São Paulo
para o programa de microbacias e matas ciliares, que irá
receber uma doação de US$ 7 milhões,
através do Banco Mundial, também foram lembrados
pelo governador.
Já
o secretário estadual do Meio Ambiente, prof. José
Goldemberg, alertou para a necessidade de o Estado de
São Paulo fazer urgentemente seu inventário
de emissões de gases de efeito estufa, "pois
com esses índices básicos poderemos agir
com mais eficácia", afirmou Goldemberg, lembrando
que o Estado de São Paulo é o único
Estado da Federação que está aumentando
a cobertura vegetal.
Por seu lado, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
referindo-se à instituição do Fórum
Paulista, disse que "essa iniciativa é da
maior importância, confirmando que o Brasil é
um país de vanguarda na área ambiental".
Fernando Henrique Cardoso também destacou que é
possível um crescimento econômico sem poluição,
"que para isso é necessário estabelecer
metas e conscientizar as partes envolvidas, e o Fórum
é o caminho para isso".
José
Domingos Gonzalez Miguez fez uma breve explanação
do inventário nacional de emissões de gases
de efeito estufa, apresentada na Convenção-Quadro
das Nações Unidas da Mudança do Clima,
na Argentina, no final do ano passado. Entre outros dados,
ele mostrou que o Brasil abriga 1/3 das florestas tropicais
do planeta e uma área significativa de Cerrado,
"uma das maiores regiões fito-ecológicas
existentes no planeta". Ele ressaltou que "o
Brasil é uma megabiosfera", utilizando-se
de uma expressão bastante compartilhada pelos diversos
participantes do evento.
Aumento
de temperatura e a transformação dos biomas
A
comunidade científica tem insistido na necessidade
de implementação de ações
que visem a estabilização do clima mundial,
salientando a importância da participação
popular neste processo. Levantamentos diversos alertam
para a constante perda da biodiversidade mundial, fato
diretamente ligado ao alto índice de consumo nos
países industrializados, atitude que já
compromete seriamente a qualidade de vida de gerações
futuras.
Para
exemplificar a transformação dos biomas
com o aumento da temperatura no planeta, Eneas Salati,
da Fundação Brasileira para o Desenvolvimento
Sustentável, que durante o evento do Fórum
falou sobre "O impacto das Mudanças Climáticas
na Biodiversidade", disse que a elevação
da temperatura em Cuiabá, em 4 graus, teria como
consequência a transformação do clima
semi-úmido para semi-árido, a mudança
da disponibilidade de água e, enfim, a alteração
na estrutura do bioma existente na região.
A
erradicação da pobreza no planeta, a transformação
dos padrões insustentáveis de produção
e consumo e a preservação e gerenciamento
dos recursos naturais são metas fundamentais para
assegurar um desenvolvimento global sustentável.
E um caminho apontado para o enfrentamento desta situação
é a vigência do Protocolo de Kyoto, considerado
um dos mais importantes acordos internacionais no controle
do aquecimento global, prevendo a redução
em 5,2%, entre 2008 e 2012, dos gases emitidos pelos países
industrializados, em relação ao ano de 1990.
Reportagem
Cris Couto e Cris Olivetti
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em Fórum do Meio Ambiente.
FONTE:
http://www.ambiente.sp.gov.br/destaque/2005/fevereiro/16_forum.htm