O que você acharia de comer um abacaxi sem ter que
descascá-lo com a vantagem de ser mais doce que
os demais? Improvável? Nem tanto para uma variedade
da fruta criada pelo Instituto Agronômico de Campinas
(IAC), vinculado a Agência Paulista de Tecnologia
dos Agronegócios, da Secretaria de Agricultura
e Abastecimento do Estado de São Paulo. Para consumir
o IAC Gomo-de-mel, como é chamado, basta cortá-lo
ao meio e retirar os gomos.
O
produto foi desenvolvido há cinco anos, mas somente
agora, neste mês de fevereiro chega aos consumidores.
Essa demora, segundo Ademir Spirondello, um dos pesquisadores
responsáveis pelo projeto e que está aposentado,
deve-se ao fato da resistência dos produtores de
aceitar inicialmente a nova versão da fruta.
A pesquisa foi iniciada em 1992 quando algumas unidades
vieram da China para serem estudadas no IAC. A seleção
genética foi concluída em 1999. 'Ele é
incomparavelmente mais doce que os similares Pérola
e Havaí, além de ter acidez um pouco menor
e ser mais saboroso', defende Spirondello.
Além
disso, o abacaxi tem uma aparência diferenciada,
com a polpa na cor amarelo-ouro, de coloração
bem mais atraente que as variedades existentes no mercado.
Ele esclarece que em algumas cidades da Bahia, o produto
está sendo vendido diretamente para hotéis
e restaurantes pela sua facilidade no consumo, e deve
chegar aos supermercados da Capital até o final
desse ano.
Trata-se
de um produto de maior valor, custa em média 50%
a mais do que outros tipos, já que a procura é
grande e a oferta ainda é baixa. Essa valorização
do fruto compensa os investimentos iniciais em mudas e
o fato do IAC Gomo-de-mel ser menor que outras variedades
de abacaxi. 'As mudas podem gerar até 50 mil plantas
por hectares', explica Spirondello. Ele ressalta que fruto
demora dois anos para atingir a maturidade.
Segundo
o agricultor, José Guedes Pinto Sobrinho, que mora
em Rio Claro e está produzindo o IAC Gomo-de-mel
que chega à Campinas, a produção
será ampliada para atender à demanda. 'A
pessoa que compra uma vez volta para comprar mais', e
exemplifica ao falar sobre um produtor de Franca que veio
para comprar mil mudas e depois de experimentar o abacaxi
levou seis mil. A previsão é que a Capital
tenha o abacaxi ainda este ano.
Spirondello
antecipa que está desenvolvendo outro tipo de abacaxi,
ainda melhor que o gomo de mel e ressalta a importância
dos profissionais do IAC envolvidos nas pesquisas. 'Não
tivemos ainda nenhum tipo de recompensa financeira, mas
é muito gratificante vermos os resultados iniciais
do nosso trabalho'.
Carlos
Prado
FONTE:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=61225