O Ministério do Meio Ambiente comemora nesta quarta-feira
(16) a entrada em vigor do Protocolo de Quioto, inaugurando
um bosque com mudas de árvores plantadas por representantes
de cada um dos 141 países que ratificaram o acordo
internacional. O Protocolo, criado em 1997, estabelece
metas de redução de emissões de gases
para os países desenvolvidos, a serem atingidas
no período de 2008 a 2012.
O Bosque de Quioto será formado por quatorze espécies
de árvores nativas do Cerrado e ocupará
uma área no Jardim Botânico de Brasília.
A cerimônia começa às 10h, e contará
com a presença de representantes de vários
ministérios e dos países que já aderiram
ao protocolo. O evento tem o apoio dos ministérios
da Ciência e Tecnologia, Relações
Exteriores e Governo do Distrito Federal.
Mudanças Climáticas - O aquecimento global,
causado, principalmente, pela queima de combustíveis
fósseis (petróleo, gás natural e
carvão mineral), atividades agrícolas, desmatamentos
e queimadas, está provocando mudanças no
clima do planeta. Segundo o Painel Intergovernamental
de Mudanças Climáticas (IPCC, sigla em inglês),
que reúne mais de dois mil cientistas de diversos
países, essas mudanças podem levar ao derretimento
parcial ou até mesmo total das calotas polares,
provocando o aumento do nível médio dos
mares e alterações na circulação
oceânica.
No caso do Brasil, estima-se que o maior impacto será
na alteração do regime de chuvas e da temperatura,
com conseqüências diretas sobre a agricultura
e a biodiversidade. A Amazônia poderá perder
parte considerável de suas espécies. A ocorrência
de desastres naturais e de quebras de safra também
poderá se tornar mais freqüente e intensa.
O risco de enxurradas e deslizamentos de terra tenderá
a aumentar.
Protocolo - O Protocolo de Quioto foi o primeiro passo
concreto para combater as mudanças climáticas
globais. Ele prevê a redução das emissões
dos gases que provocam o efeito estufa por parte dos países
industrializados. Para entrar em vigor, o protocolo precisava
ser ratificado por países responsáveis por
pelo menos 55% das emissões. Essa meta foi atingida
em novembro do ano passado com a adesão da Rússia,
segundo maior emissor de gases do mundo. O governo dos
Estados Unidos, os maiores emissores, com mais de 36%
do total mundial, optou pela não-ratificação.
O protocolo estabelece, ainda, três mecanismos de
flexibilização para facilitar sua implemtnação:
o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), a implementação
conjunta e o comércio de emissões. O único
que envolve a participação de países
em desenvolvimento, como o Brasil, é o MDL, elaborado
com base em uma proposta brasileira. O MDL possibilita
a transferência de recursos e tecnologias limpas
de países desenvolvidos para países em desenvolvimento.
Estima- se que China, Brasil e Índia serão
os maiores receptores desse tipo de projeto.
Embora o Brasil não possua metas, há um
comprometimento voluntário do País para
redução de suas emissões. O combate
às queimadas e ao desmatamento é o principal
desafio brasileiro. O Ministério do Meio Ambiente
tem conduzido ações que terão reflexo
no modelo de desenvolvimento, na ocupação
da terra e no futuro da Amazônia, bioma com importância
fundamental na regulação do clima global.
Entre as iniciativas governamentais, estão o Plano
de Desenvolvimento Sustentável para a Área
de Influência da BR-163 e o Plano para de Ação
para a Prevenção e o Controle do Desmatamento
Ilegal na Amazônia, que integram o Plano Amazônia
Sustentável.
O novo Programa Nacional de Florestas já possibilitou
o aumento significativo na área de florestas plantadas.
Entre 2002 e 2004, a área plantada passou de 320
mil hectares para 475 mil hectares. E a projeção
para este ano é de que a área chegue a 520
mil hectares. O cultivo de florestas é fundamental
para a fixação de carbono, contribuindo
para a redução dos efeitos do aquecimento
global.
O Brasil também ganhou quase três milhões
de hectares em áreas de preservação
desde 2003, área semelhante a do Estado de Alagoas.
Foram ampliadas, ainda, as áreas dos parques nacionais
Grande Sertão Veredas (MG/BA) e da Floresta da
Tijuca (RJ) e da Estação Ecológica
do Taim (RS). A criação e consolidação
dessas áreas protegidas contribui para a preservação
de importantes ecossistemas e biomas.
ASCOM
FONTE:
http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=1559