O Protocolo de Kyoto entrou em vigor nesta quarta-feira,
com o objetivo de conter o aquecimento do planeta.
Os 141 países que ratificaram o tratado se comprometeram
a reduzir as emissões de gases poluentes que produzem
em 5,2% até 2012. O ano de referência é
1990, ou seja, as reduções devem levar em
conta aquele ano, e não 2005.
A meta é considerada insuficiente pela maioria
dos cientistas que acreditam na redução
da poluição como forma de controlar as mudanças
climáticas – eles alegam que seriam necessárias
reduções de 60% para que os efeitos sobre
o clima fosem significativos.
O próprio diretor do Programa de Meio Ambiente
da ONU, Klaus Toepfer, disse que Kyoto é apenas
um "primeiro passo" no combate ao aquecimento
global.
O tratado entra em vigor 90 dias depois de a Rússia
ter decidido ratificá-lo. A adesão russa
era vital para o protocolo, que só poderia ter
validade legal quando reunisse os responsáveis
por pelo menos 55% da poluição mundial.
No entanto, os Estados Unidos – maiores poluidores do
planeta – e a Austrália se recusaram a ratificar
o documento, alegando que as suas economias seriam prejudicadas
se o fizessem.
Reiterando as críticas do governo americano à
iniciativa, o porta-voz da Casa Branca, Scott McClellan
disse que os benefícios de longo prazo do protocolo
não compensarão os sacrifícios econômicos
imediatos.
Metas só para os ricos
Washington também critica o fato de apenas os países
industrializados, cerca de 30 dos 141, terem o compromisso
legal de atingir as metas de redução – que
variam de acordo com o país.
Nações em desenvolvimento, incluindo o Brasil,
não têm de se comprometer com uma meta específica.
Dessa forma, apesar de terem ratificado o tratado, países
como a China e a Índia não têm obrigação
de reduzir as suas emissões.
"Os países fora do tratado dizem que vão
tomar medidas próprias (para controlar as emissões)
mas eu me pergunto se elas podem funcionar", afirmou
o ministro do Exterior do Japão, Nobutaka Machimura,
também insatisfeito com os critérios.
Por outro lado, sucessivas negociações para
atrair mais países para o tratado foram enfraquecendo
os termos do tratado, como informa a correspondente da
BBC Elizabeth Blunt.
Manifestações
Grupos ambientalistas planejam manifestações
no mundo inteiro para marcar o início do tratado,
que entrou oficialmente em vigor às 3h de Brasília.
Mas a principal cerimônia deverá em Kyoto,
onde os países chegaram a um acordo sobre os termos
do tratado, em 1997.
Entre os palestrantes, estará a vice-ministra do
Meio Ambiente do Quênia e prêmio Nobel da
Paz, Wangari Maathai, para quem os esforços para
o controle de mudanças climáticas terão
de envolver mudanças no dia-a-dia das pessoas.
"Uma das razões pelas quais os países
não apóiam o Protocolo de Kyoto é
exatamente porque eles não querem reduzir o seu
padrão de superconsumo."
"Uma forma de reduzir o superconsumo é aprender
a reutilizar muitos dos recursos que nós usamos
e depois simplesmente jogamos fora", acrescentou
Maathai.
No entanto, mesmo os países que ratificaram Kyoto
terão dificuldades para atingir as metas.
O Canadá, um dos primeiros a aderir, não
tem uma estratégia clara de como cortar as suas
emissões. De fato, ao invés de cair, as
emissões do país aumentaram 20% em relação
a 1990.
O Japão também não sabe como vai
atingir a sua meta de reduzir as emisssões em 6%,
embora tenha se comprometido a "fazer todos os esforços
para respeitar as regras do protocolo".
A Europa conseguiu reduzir as suas emissões nos
últimos anos substituindo o carvão pelo
mais ecológico gás natural para gerar eletricidade,
mas os benefícios dessa mudança já
estão se esgotando.
Como informa o correspondente da BBC Roland Pease, as
opções são limitadas. Fontes de energia
renovável podem responder, ao menos inicialmente,
por apenas uma parte do fornecimento.
A energia nuclear é uma alternativa de produção
em grande escala, sem uso de combustíveis fósseis,
mas, como diz Pease, o aumento do seu uso seria politicamente
inaceitável.
Segundo o correspondente, o Protocolo de Kyoto deve ser
interpretado como um ensaio de medidas mais fortes e de
longo prazo que muitos cientistas recomendam para combater
as mudanças climáticas.
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FONTE:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/02/050216_kyotoabrecg.shtml