A
partir de estudos multidisciplinares, a Rede 2 - parte
do Programa Antártico Brasileiro (Proantar) - pretende
unificar, numa só base de dados, todas as informações
sobre aspectos biológicos, químicos, físicos
e geológicos da região. Com isso, será
possível produzir um diagnóstico e propor
um plano de uso responsável ao Ministério
do Meio Ambiente, ao Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico (CNPq) e aos cientistas
antárticos.
A
Rede 2 foi criada em 2002 com o objetivo de monitorar
o impacto da presença humana na Estação
Brasileira de Comandante Ferraz, na Antártida.
A USP, junto de mais sete instituições de
ensino superior brasileiras, faz parte desta iniciativa
inédita - só Brasil e Nova Zelândia
desenvolvem trabalhos com este caráter integrado.
Segundo
Rolf Roland Weber, ex-diretor do Instituto Oceanográfico
(IO) da USP e atual coordenador da Rede 2, o projeto é
'um grande desafio, pois articular diferentes áreas
de pesquisa sob um objetivo comum é um processo
muito complexo'.
Weber
explica que 'não existe impacto zero' no ambiente
em que o ser humano está presente, mas que, porém,
o local em que está localizada a Estação
Brasileira - a Baía do Almirantado, na Ilha do
Rei George - é uma área especialmente gerenciada,
segundo consenso estabelecido no Scar (sigla, em inglês,
para o Comitê Científico de Pesquisas Antárticas).
'Conservar a região, portanto, é um compromisso
que devemos assumir.'
O
coordenador da Rede 2 cita que os principais problemas
a serem observados na Antártida hoje dizem respeito
à presença de poluentes como os compostos
orgânicos e sintéticos. 'É necessário
também tomar cuidado com vazamentos de óleos,
pois, além do combustível dos barcos, todo
o sistema de aquecimento da base utiliza óleo diesel.'
A
fauna da região, segundo Weber, já tem seus
hábitos afetados com a presença humana,
mesmo que ela seja pequena. 'Existem aves, por exemplo,
que vão se alimentar no lixo das estações,
além dos pingüins, que apresentam até
distúrbios de comportamento quando motos e helicópteros
chegam perto.'
O
turismo também é apontado como um aspecto
importante a ser analisado. 'A Antártida recebe
milhares de turistas todo ano. É fundamental regulamentar
a atividade para que o impacto do turismo seja minimizado',
afirma.
Grupos
de Estudo
A
Rede 2 é composta por 15 grupos de especialistas
(entre os quais nove estão sob responsabilidade
da USP), que pretendem unir seus dados para que a monitoração
ambiental seja feita de maneira plena.
Da
área que estuda aspectos biológicos para
indicar a interferência humana na região,
fazem parte os grupos que analisam Biomarcadores e Comunidades
Bentônicas Antárticas (todos do IO/USP),
Microbiologia Ambiental (Instituto de Ciências Biomédicas
da USP) e Comunidades de Áreas de Degelo (Universidade
Luterana do Brasil). Completam a lista o Grupo de Estudos
Ambientais da Universidade Federal do Rio de Janeiro e
o de Biologia das Aves, da Unisinos.
Já
em relação aos elementos não-relacionados
diretamente com os seres vivos, a Rede 2 conta com grupos
que analisam a Poluição Fecal e Poluentes
Orgânicos Persistentes (POPs) , Hidrocarbonetos
de Petróleo, Nutrientes e Metais [na água],
Gases Dissolvidos [na água], Oceanografia Geológica,
Oceanografia Física (todos do IO/USP), Grupo de
Sensoriamento Remoto [cartografia] da Universidade Federal
do Rio Grande do Sul e Criossolos [solos formados em regiões
geladas], da Universidade Federal de Viçosa.
Além
desses grupos, uma equipe (Arquitetura e Engenharia, da
Universidade Federal do Espírito Santo) irá
propor soluções e os materiais mais adequados
para que as construções e principalmente
as redes de esgoto e depósito de lixo sejam tratados
da maneira menos impactante possível.
Rafael
Veríssimo - Agência USP
FONTE:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=64697