Agência
FAPESP - O chamado dióxido de carbono antropogênico,
aquele que é lançado por atividades feitas
pelo homem, como a queima de combustíveis fósseis,
é um composto que pode causar um grande desequilíbrio
nos oceanos. Os resultados da absorção contínua
de carbono pelos mares, em níveis cada vez maiores,
é mostrado em dois artigos publicados na edição
de 16 de julho da revista Science.
Os estudos feitos por dois grupos internacionais, que
envolveu integrantes dos Estados Unidos, Coréia
do Sul, Austrália, Canadá, Japão,
Espanha e Alemanha, mostram que os oceanos são
o grande destino do dióxido de carbono lançado
na atmosfera desde a Revolução Industrial.
Segundo um dos pesquisadores, o oceanógrafo norte-americano
Christopher Sabine, quase metade do dióxido de
carbono antropogênico lançado na atmosfera
nos últimos 200 anos pode ser encontrado hoje na
parte mais superficial dos oceanos.
As medidas apresentadas em um dos artigos, The oceanic
sink for anthropogenic CO2, são consideradas as
mais completas já obtidas. Os cálculos mostraram
que se os oceanos não tivessem removido 118 bilhões
de toneladas de carbono antropogênico da atmosfera
entre 1800 e 1994, os níveis de CO2 seriam 14%
maiores do que os atuais.
Se, por uma lado, o efeito positivo dessa retirada de
dióxido de carbono da atmosfera pode ajudar, por
exemplo, na diminuição do aquecimento global,
o lado negativo desse aumento de carbono nos oceanos pode
ser muito prejudicial para vários organismos marinhos.
Os mais prejudicados são os que secretam estruturas,
como conchas, a partir do carbonato de cálcio.
É o caso, por exemplo, de foraminíferos,
ostracodas e também dos corais.
Conforme mostra outro artigo na mesma edição
da Science, Impact of anthropogenic CO2 on the CaCO3 system
in the oceans, o aumento de dióxido de carbono
no mar faz com que as concentrações dos
íons de carbonato diminuam. Em certas condições
ambientais, os níveis de carbonato utilizado pelos
organismos podem cair de tal forma que as conchas e demais
estruturas anteriormente secretadas pelos seres marinhos
começarão a se dissolver.
Os pesquisadores alertam que se esse desequilíbrio
continuar, as regiões com dissolução
do carbonato se tornarão cada vez freqüentes.
Segundo os pesquisadores, no primeiro momento as áreas
com águas mais frias, distantes do Equador, seriam
as mais atingidas.
FONTE: http://www.fapesp.br/agencia/boletim_dentro.php?data[id_materia_boletim]=2146