A
ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, anunciou ontem
que o governo deve lançar na próxima semana
novas medidas para reduzir o desmatamento na Amazônia.
Entre as ações já adotadas, está
a decretação da suspensão da autorização
de desmatamento em áreas maiores do que três
hectares. A expectativa é de que a suspensão
dure até um ano, prazo calculado para se criar
uma espécie de “blindagem” contra desmatamentos
ilegais. As medidas estão em fase final de análise
e serão anunciadas pela ministra da Casa Civil,
Dilma Rousseff.
O
novo pacote contra o desmatamento foi discutido ontem,
por mais de cinco horas, pela equipe do Ministério
do Meio Ambiente e o governador do Mato Grosso, Blairo
Maggi. A preocupação do governo é
definir ações específicas voltadas
para combater a exploração ilegal de madeira
no estado. O Mato Grosso desperta atenção
especial do governo, principalmente depois da Operação
Curupira, da Polícia Federal, que em junho desbaratou
uma quadrilha especializada em fraudar Autorizações
para Transporte de Produtos Florestais (ATPFs) e “esquentar”
madeira, conseguir tornar legal a madeira extraída
ilegalmente no estado.
Depois
da operação, uma série de ações
foram determinadas, entre elas, a criação
de uma secretaria de estado de Meio Ambiente, a intervenção
do Ibama no estado e a suspensão da liberação
das ATPFs. A reunião de ontem entre Marina e Maggi
foi a primeira de uma série de encontros que devem
ocorrer entre as duas equipes.
O
Mato Grosso também chama a atenção
pelo fato de que, nas últimas pesquisas, foi o
estado que registrou o pior índice de desmatamento
do País. Foram 1,8 milhão de hectares no
último ano. O governador procurou eximir a responsabilidade
da sua gestão sobre o alto índice de desmatamento.
Questionado por que somente agora as medidas conjuntas
com ministério estão sendo adotadas, ele
afirmou: “é uma pergunta que precisa ser feita
à ministra. Cabe ao Ibama realizar ações
de controle.” Ontem, Marina evitou usar o termo moratória
a decisão de suspender as autorizações
para desmatamento. “Este é um processo de freios,
que vai perdurar até que um sistema melhor de proteção
seja implementado”, afirmou ao final da reunião.
O presidente do instituto, Marcus Barros, definiu a ação
do governo: “Trata-se de um pit stop, a parada feita por
pilotos da Fórmula 1”.
No
encontro de ontem, ministério e governo de Mato
Grosso firmaram um termo de cooperação técnica
para integrar as atividades da Secretaria de Estado de
Meio Ambiente e Ibama. A ministra negou que tal medida
interfira na autonomia de estado. “Temos acordos semelhantes
com outros estados. E Mato Grosso já possuía
sistema semelhante, mas, por várias razões,
não foi colocado em prática”, disse.
Pelo
acordo, Mato Grosso será o primeiro estado a receber
o Sistema de Detecção e Desmatamento em
Tempo Real (Deter), um sistema por satélite que,
desde junho, está em funcionamento. Com a integração,
Mato Grosso passará a receber diretamente do INPE
informações sobre desmatamentos na região.
Um grupo de trabalho também será criado
para rastrear a produção agropecuária
no estado.
FONTE:
http://www.boletimpecuario.com.br/noticias/noticia.php?noticia=not6147.boletimpecuario