Impactos
das mudanças climáticas e do desmatamento
colocam em risco a maior floresta tropical do planeta
Buenos Aires - O Greenpeace demandou hoje dos governos
ação imediata para proteger a Amazônia
dos impactos devastadores do desmatamento e das mudanças
climáticas. A Bacia Amazônica abriga a maior
e mais exuberante floresta tropical do planeta, cobrindo
uma área de cerca de 700 milhões de hectares
em 9 países - equivalente ao território
dos Estados Unidos sem o Alasca.
Estima-se que a Amazônia tenha até 30% da
biodiversidade terrestre do planeta. Mas esta jóia
da diversidade biológica está ameaçada
por atividades humanas, como a exploração
de madeira, abertura de estradas, queimadas, assentamentos
e o desmatamento para a formação de pastagens
ou para agricultura - principalmente produção
de soja.
"Desde a ECO-92, realizada no Rio de Janeiro, a Amazônia
Brasileira perdeu mais de 230 mil km2 de floresta devido
às atividades humanas - uma área maior do
que o estado do Paraná", disse Paulo Adário,
coordenador da campanha da Amazônia, do Greenpeace.
"As emissões de CO2 provenientes do desmatamento
e das queimadas na Amazônia são a principal
contribuição do Brasil ao aquecimento global.
Por sua vez, há cada vez mais evidências
de que as mudanças climáticas tornam as
florestas mais secas".
A Amazônia desempenha um papel fundamental no ciclo
das águas e no equilíbrio do clima global,
já que detém cerca de 20% de toda a água
doce do planeta e armazena grandes quantidades de carbono.
Uma rede de 100 mil quilômetros de rios depende
diretamente da floresta - 50% das chuvas da região
são produzidos por processos de evaporação
e transpiração que ocorrem na própria
floresta.
Uma floresta mais seca leva a um maior número de
queimadas. Maiores emissões de CO2 contribuem para
maior aquecimento global. Isso diminui ainda mais a umidade
da floresta, tornando-a mais suscetível a queimadas
e a um processo de morte que vai penetrando em seu interior,
em um ciclo vicioso e destrutivo.
"A Amazônia é vítima e vilã.
Ela contribui para o aquecimento global através
do desmatamento e, ao mesmo tempo, sofre com os impactos
das mudanças climáticas", disse Marcelo
Furtado, diretor de campanhas do Greenpeace no Brasil,
presente à reunião internacional sobre clima
que acontece em Buenos Aires, na Argentina. "Ela
está no meio de duas forças destrutivas,
cujos efeitos combinados poderiam substituir a floresta
por savanas e deserto. Os governos devem agir imediatamente
para barrar o desmatamento e devem se comprometer com
a redução massiva de emissões de
CO2 para deter o aquecimento global".
As mudanças climáticas ameaçam milhões
de pessoas, suas culturas e uma parte significativa da
biodiversidade mundial.
FONTE: http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=139165