Gisele Teixeira
A
Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Ministério
do Meio Ambiente apresenta, nesta sexta-feira (16), seis
novos produtos, entre eles dois mapas acompanhados de
CDs: o Macrozoneamento Ecológico-Econômico
da Bacia do Rio São Francisco e Análise
da Ocupação dos Cerrados do Sul do Piauí
e Maranhão (Bacia do Parnaíba). Os lançamentos
fazem parte da reunião anual do Programa de Zoneamento
Ecológico-Econômico, que acontecerá
no auditório do Ministério das Comunicações,
às 14h.
O mapa e o CD da Bacia do Rio São Francisco sistematizam
informações produzidas pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) e incluem análises
em duas vertentes. Uma parte do trabalho é focada
na ocupação do território e nas mudanças
do perfil econômico da bacia nos últimos
anos. A outra, apresenta um diagnóstico da qualidade
ambiental do trecho sub-médio, conhecido como "a
região das corredeiras" e que abrange uma
superfície de 96.500 Km², nos estados da Bahia
e Pernambuco, limitado pelas barragens de Sobradinho e
Itaparica.
De acordo com o trabalho, foram observadas diversas formas
de agressões ao meio ambiente em toda a extensão
da área analisada, principalmente em função
do avanço desorganizado da ocupação
do território. O documento aponta que algumas agressões
têm maior destaque devido à magnitude das
suas repercussões e o caráter imediato das
reações da natureza.
Neste grupo podem ser relacionados a ocupação
das margens dos rios, o despejo de resíduos sólidos
e esgotos in natura, a pesca predatória, os desmatamentos,
queimadas e uso de agrotóxicos. Essas agressões
geralmente têm como conseqüência o assoreamento
dos canais de drenagem, erosão, desertificação,
poluição dos solos e das águas pelo
uso de agroquímicos e a salinização
dos solos.
Já a Análise da Ocupação dos
Cerrados do Sul do Piauí e Maranhão é
apenas um dos trabalhos que estão sendo desenvolvidos
na Bacia do Parnaíba. O MMA também realiza
o ZEE do Baixo Parnaíba e o Macrozoneamento da
Bacia. A pesquisa contextualiza o processo de ocupação
e uso da terra por meio da análise de dados secundários,
constantes da base de dados do IBGE, e de informações
levantadas em pesquisa de campo realizada em outubro de
2004, junto a agentes e instituições locais
e regionais.
Os dois estados estão mudando seus perfis de forma
muito rápida em função da expansão
da fronteira agrícola, principalmente com o cultivo
de soja. De acordo com a pesquisa, a produção
do grão na Bacia do Rio Parnaíba está
concentrada em apenas 29 municípios dos 277 que
estão total ou parcialmente inseridos nela, mas
quase 100% da soja dos dois estados é produzida
nessa região. Segundos dados da Pesquisa Agrícola
Municipal (PAM), desenvolvida pelo IBGE, a produção
de soja na Bacia para o ano de 2003 foi de quase um milhão
de toneladas, cinco vezes maior do que a verificada para
o ano de 1995 e quase 100 vezes maior do que a de 1985.
Os pesquisadores destacam que é preciso que o Estado
se antecipe aos impactos negativos que o processo de avanço
da soja possa causar ao meio ambiente e à população
da região. E acrescentam que o conhecimento dos
processos e práticas da agroindústria são
fundamentais para a elaboração de tendências
de ocupação futura dos cerrados.
O MMA também lança nessa sexta-feira um
DVD com a Sistematização de Informações
para o Macrozoneamento Ecológico-Econômico
do Brasil, Mapa Integrado dos Zoneamentos Estaduais da
Amazônia Legal, folder da Rede Virtual de Informações
da Caatinga e cartilha explicativa e sumário executivo
do ZEE da região Integrada de Desenvolvimento do
Distrito Federal e Entorno.
Fonte:
http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=2175