Lista
é bem maior que anterior, de 1998, mas situação
não piorou;
conhecimento sobre a flora é que cresceu.
São Paulo - Entre 1998 e 2004, a lista oficial
das espécies vegetais ameaçadas de extinção
no Estado de São Paulo cresceu de 300 para 1.009.
À primeira vista, a nova relação,
que deverá ser publicada na semana que vem no Diário
Oficial, revelaria que o desmatamento aumentou e a situação
das matas paulistas piorou. O diretor-geral do Instituto
de Botânica (IB), Luiz Mauro Barbosa, garante, no
entanto, que não é isso o que ocorre.
"O aumento no número de espécies ameaçadas
reflete o o maior conhecimento que temos da flora paulista",
assegura. "E não a piora do problema."
A nova lista vem sendo elaborada desde 1998 e foi consolidada
durante um workshop realizado no início desta semana
no IB. Segundo Barbosa, a relação foi feita
baseada na metodologia internacional da União Mundial
para a Conservação (IUCN).
"Mas também tivemos de fazer algumas adaptações
específicas para São Paulo", explica.
Entre elas, foram adotados alguns critérios de
exclusão da lista, que não existem na metodologia
da IUCN.
É o caso da tiririca (Cyperus rotundus), uma praga
em São Paulo, mas que, por um dos critérios
da IUCN - ser difícil de ser encontrada em herbários
e museus -, seria considerada ameaçada. "Ela
não faz parte de coleções, porque
não existe muito interesse científico nela
e não por estar em extinção",
observa Barbosa.
Os pesquisadores paulistas adotaram outros critérios
também para incluir plantas na relação.
"Definimos, por exemplo, que a ausência de
registros novos de determinada espécie nos últimos
50 anos, inclusive em jardins botânicos e bancos
de germoplasma, é suficiente para que a planta
seja listada", conta.
Embora até a sua publicações no Diário
Oficial a lista possa sofrer pequenos ajustes, ela contém
até agora 13 na categoria extintas da natureza,
22 em perigo crítico, 170 em perigo, 402 presumivelmente
extintas e 402 vulneráveis.
"Também foram encontradas, em unidades de
conservação, cerca de 20 espécies
que eram tidas como extintas na lista anterior, de 1998",
diz Barbosa. "O que comprova a eficácia e
a importância dessas unidades."
Evanildo da Silveira
Fonte:
http://estadao.com.br/ciencia/noticias/2004/set/17/114.htm