O
instrumento simula a quantidade de água evaporada,
amônia e calor que os animais produzem nas gaiolas
do biotério. Sistema é construído
com materiais simples e pode ter livre utilização
Rafael
Veríssimo
Para
testar equipamentos de ventilação de biotérios,
o professor José Luiz Merusse, da Faculdade de
Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da USP,
criou um simulador de presença. Apelidado de "rato
mecânico", o aparelho usa materiais simples,
como uma resistência elétrica de chuveiro
e dois reservatórios de óleo de freio de
Fusca, e evita que, a cada teste de ventilação,
cinquenta animais sejam sacrificados.
Desenvolvido
como Trabalho de Conclusão de Curso de Laudicéia
Amaral dos Santos Luz na Faculdade de Tecnologia de São
Paulo (Fatec), com orientação do professor
Merusse, o "rato mecânico" simula a presença
de uma cobaia na gaiola. "Pegamos os padrões
de quanta água evaporada, amônia e energia
(calor) esses animais produzem, e, a partir disto, simulamos
essa emissão com o aparelho". Depois de o
ar entrar e circular, os técnicos medem a temperatura,
a umidade e os níveis de amônia presentes
do ar que sai da gaiola individual.
Para
produzir o "rato mecânico" foram utilizados
um azulejo, uma resistência elétrica de chuveiro,
um dissipador de calor de computador antigo, uma chapa
de alumínio obtida em ferro velho, duas formas
de empanada, dois reservatórios de óleo
de freio de Fusca e duas válvulas deregular ar
de aquário.
O
calor é gerado pela resistência elétrica
do chuveiro e emitido pelo dissipador de processador de
computador, simulando a emissão de calor do corpo
do animal. Esse mesmo calor da resistência do chuveiro
(que é impedido, pelo azulejo, de passar para o
local onde o "rato mecânico" está
apoiado) aquece a placa de alumínio, que esquenta
as formas de empanada que funcionam como recipientes de
água e solução de amônia. Com
o calor, ambos os líquidos (antes armazenados nos
reservatórios de óleo de freio de Fusca
e cujas quantidades são controladas pela válvula
reguladora de ar de aquário) evaporam. "Como
são necessários cinqüenta simuladores
de presença para testar as cinqüenta gaiolas,
nossa preocupação é a de projetá-los
o mais barato possível."
Ventilação
O simulador foi criado a partir de uma necessidade surgida
em outro projeto da FMVZ. Merusse é um dos únicos
pesquisadores da América Latina que atuam na área
de Controle Atmosférico de Biotérios, cujo
objetivo é preservar o bem-estar dos animais em
seu confinamento, ao controlar a temperatura e umidade
do local.
O
sistema de ventilação normalmente utilizado
em biotérios (bem como em shoppings e bancos) é
o de Ventilação Geral Diluidora (VGD). Nele,
apenas uma pequena parte do ar (cerca de 10%) é
renovada, enquanto a restante é reutilizada, após
passar por tratamento no sistema.
No
entanto, pelo fato de os animais produzirem gases tóxicos
- principalmente a amônia, proveniente das fezes
e da urina - a atmosfera dos biotérios deve ser
100% renovada. "E o sistema VGD, para os biotérios,
tem se mostrado ineficiente, pois muita energia é
despendida para a troca total do ar", afirma Merusse.
Por
essa razão, o professor desenvolveu e patenteou
um novo modelo de controle atmosférico, a Ventilação
Micro-Ambiental (VMA). "Com esse sistema, a renovação
do ar das gaiolas é feita de maneira separada -
tanto de uma gaiola para outra quanto do restante da sala",
explica Merusse, adicionando que esta tecnologia reduz
70% a massa de ar necessária com a VGD.
Para
aperfeiçoar o sistema, é necessário
que se meça, através das saídas das
caixas, o calor, a umidade e a quantidade de amônia
presentes em cinqüenta diferentes gaiolas. Ou seja,
seria necessário que ao menos cinqüenta cobaias
passassem pelo teste que verifica o conforto dos animais
no sistema VMA. E, por lei, todas elas devem ser sacrificadas
após o teste. É aí que entra o "rato
mecânico".
Merusse
destaca que não tem conhecimento de outra instituição
no mundo que utilize algum instrumento que simule a presença
de um animal engaiolado. "E não queremos patentear
o "rato mecânico". Estou à disposição
para ensinar qualquer pessoa que queira montá-lo."
Por enquanto, somente o laboratório do Departamento
de Patologia da FMVZ utiliza o aparelho.
Fonte:
http://www.usp.br/agen/repgs/2005/pags/205.htm