Botos
e peixes-bois são mortos por pescadores
Kátia
Brasil e Eduardo de Oliveira escrevem para a “Folha de
SP”:
A
seca nos rios da Amazônia também tem prejudicado
espécies de mamíferos aquáticos,
além dos peixes.
Depois
de detectar a mortandade de peixes-bois, pesquisadores
do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia)
encontraram cinco botos -entre eles, dois filhotes- mortos
nas regiões de Coari e Tefé.
Esses
animais tornaram-se presas fáceis nas malhadeiras
(redes) dos ribeirinhos porque estão em águas
muito baixas.
Segundo
o pesquisador do Inpa Anselmo d'Affonseca, 42, as três
primeiras espécies de boto tucuxi (escuro) encontradas
mortas, na quarta-feira, estavam no lago Mamiá,
em Coari (a 370 km oeste de Manaus). Os animais, com mais
de 1,30 m de comprimento, eram fêmeas e tiveram
os olhos e os órgãos retirados com facões.
Outros
dois botos vermelhos, filhotes, foram encontrados no dia
seguinte no lago de Tefé (a 525 km da capital)
com marcas de facões no rosto.
A
equipe de pesquisadores, que inclui veterinários
do Ibama, faz expedição na região
para conscientizar a população sobre o risco
do comprometer as espécies. Tanto o boto quanto
algumas espécies de peixes-bois estão ameaçados
de extinção.
"Mas
quando eles [os pescadores] encontram os botos, que estão
muito vulneráveis, não perdoam. Eles não
gostam do boto porque o animal é um competidor
natural na pesca. Os botos rasgam as redes e comem os
peixes", afirmou Affonseca. A carne do boto não
é comercializada.
A
veterinária do Ibama Branca Tressoldi, 29, disse
que mais de cem peixes-bois foram mortos durante a seca
dos rios e lagos.
No
próximo dia 25, uma equipe de pesquisadores parte
para a região do médio rio Amazonas para
nova expedição.
"Alguns
ribeirinhos, conscientizados sobre a preservação
desses animais, nos ligam denunciando a matança."
Ontem
em Tabatinga (1.105 km de Manaus) o Serviço Hidrológico
do Brasil anunciou que o rio Solimões, principal
tributário do Amazonas, está subindo cerca
de 10 cm por dia, após constatação
de chuvas em suas nascentes no Peru.
Segundo
Juscelino da Costa Silva, 33, encarregado do Controle
das Águas de Tabatinga, e que acompanha a vazante
e a cheia do rio há 15 anos, em setembro houve
uma subida repentina. "Ela durou sete dias e depois
o volume de água do rio voltou a descer."
Saúde
pública
O
governador do Amazonas, Eduardo Braga (PMDB), disse, em
entrevista à Folha, que a maior preocupação
do governo em meio a seca é com riscos à
saúde pública. "As preocupações
que nós temos de curto e médio prazo são
com relação a medicamento, alimento, água
e combustível."
A
estimativa é que 197 mil pessoas em 914 comunidades
foram afetadas pela seca. O governador afirmou que, se
a situação da seca se agravar, poderá
haver remoção da população
dos lugares mais críticos.
Fonte:
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=32291