Manaus
- O governo federal anunciou ontem medidas importantes
para o combate à biopirataria, a devastação
do meio ambiente e o tráfico de animais silvestres.
A Polícia Federal vai realizar megaoperações
na área de crimes ambientais. Desde ontem, policiais
federais e técnicos do Ibama, Funai e Incra estão
recebendo cursos sobre combate à biopirataria e
outros tipos de crimes ambientais, no interior da Amazônia.
As megaoperações da PF, lançadas
em série este ano, ficaram concentradas sobre quadrilhas
de narcotraficantes, corrupção, roubo de
cargas e pirataria. Agora, o governo federal decidiu colocar
o meio ambiente na lista de prioridades da Divisão
de Inteligência Policial.
- Vamos realizar grandes operações policiais
para desativar quadrilhas ligadas ao meio ambiente, em
todo o país - anunciou o diretor-geral da Polícia
Federal, delegado Paulo Lacerda.
O anúncio foi feito durante a reinauguração
e reaparelhamento do Centro de integração
e Aperfeiçoamento em Polícia Ambiental (Ciapas),
que foi criado em 1998 mas funcionava mais como estande
de tiros no meio da Amazônia do que como escola
de formação policial. O local tem 50 mil
hectares e fica a 60 quilômetros de Manaus.
A aula inaugural do Ciapa foi proferida ontem pela ministra
do Meio Ambiente, Marina Silva. O ministro da Justiça,
Márcio Thomaz Bastos, também foi à
Amazônia prestigiar o trabalho da PF. Esta investida
da polícia sobre os crimes ambientais só
é possível graças à criação
de 27 delegacias do Meio Ambiente, em todas as unidades
da federação. A PF passou a ter agentes
e delegados especialmente treinados para combater crimes
na área ambiental.
Com os cursos do Ciapas, o governo pretende especializar
seu quadro de policiais. No novo Ciapas, que custou pouco
mais de R 300 mil, os policiais federais e técnicos
de órgãos públicos terão aulas
sobre biopirataria, biodiversidade, radioproteção
e radioatividade natural, entre outras matérias.
Além de laboratório, o centro disponibiliza
unidades para aulas no meio da mata.
Uma das grandes dificuldades para combater a biopirataria,
segundo o delegado Mauro Spósito, é a inexistência
de tipificação criminal necessária
e a abordagem policial, que pode estragar toda a operação
se não levar em conta procedimentos técnicos
rigorosos.
- Se o policial não souber coletar uma prova, por
exemplo, nunca será possível condenar alguém
por este tipo de crime - diz Spósito.
O Ciapas tem capacidade de formar mais de 400 policiais
por ano. O centro fica na beira do Rio Cueiras, afluente
do Rio Negro. A ministra Marina Silva afirmou que está
vivendo um sonho com a inauguração da nova
escola para polícia ambiental. Marina alertou que
o país tem cerca de 40 mil quilômetros de
estrada clandestinas para a retirada de madeira das florestas.
Hugo Marques
FONTE:
http://www.amazonia.org.br/