A
decisão da CTNBio de aprovar comercialmente o algodão
geneticamente modificado "Bollgard", da empresa
da Monsanto, nessa quinta-feira (17), afronta o princípio
da precaução, a legislação
ambiental brasileira, o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança
e põe em risco a proteção ambiental
do país e a qualidade de vida das presentes e futuras
gerações.
Foi uma decisão, no mínimo, apressada, porque
o Congresso acaba de aprovar uma lei tratando dos Organismos
Geneticamente Modificados (OGMs) e o correto seria esperar
o desdobramento dessa medida. A sociedade deve ficar apreensiva
com o porquê dessa pressa, exatamente no momento
em que está sendo estruturado um marco legal para
a matéria, que exige, inclusive, mudanças
na composiçlão da CTNBio. Merece destaque,
ainda, o fato de que os debates sobre a deliberação
do algodão transgênico poderiam ter ocorrido
de forma mais transparente com a realização
de uma audiência pública, instrumento previsto
na Instrução Normativa 19/2000, da própria
CTNBio.
Além disso, a decisão foi tomada sem avaliação
de risco ambiental em condições brasileiras
e com base em estudos científicos de baixa qualidade,
muitos ainda não publicados. Portanto, sem o crivo
da comunidade científica. Cabe realçar,
ainda, que a deliberação foi tomada um dia
após a realização do único
seminário, convocado pela própria CTNBio,
com especialistas em fluxo gênico e ecologia, onde
os membros da Comissão foram informados sobre vários
estudos em andamento relacionados à genética,
ecologia, mapeamento e conservação do algodoeiro.
Os palestrantes do citado seminário foram unânimes
quanto à necessidade de se evitar a contaminação
de espécies silvestres de algodão (uma delas
só existe no Brasil) com plantas transgênicas.
Portanto, várias medidas deveriam ser tomadas antes
da liberação comercial dessa variedade de
algodão, como: zoneamento para cultivo; segregação
da produção para evitar misturas e garantir
rastreabilidade dos diferentes cultivos; organização
do transporte para evitar perda de sementes; alteração
das normas de produção de sementes; entre
outras.
Uma das questões abordadas no seminário
relacionava-se à fauna e à flora associadas
ao algodoeiro. Recentemente, foram identificadas 170 espécies
de abelhas, borboletas e aranhas benéficas às
espécies de algodão. O impacto de toxinas
transgênicas nessas espécies ainda não
foi avaliado. Além disso, a introdução
dessas toxinas em plantações poderá
reduzir drasticamente a ocorrência de insetos, inclusive
de inimigos naturais de pragas.
Diante dos riscos da decisão da CTNBio, o MMA decidiu
apresentar recurso junto à Comissão contra
a liberação comercial do algodão
geneticamente modificado "Bollgard", além
de adotar outras medidas que julgar necessárias.
ASCOM
FONTE:
http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=1633