Estrada
será construída em pleno coração
da floresta amazônica equatoriana e enfrenta a oposição
dos índios Huaorani e de cientistas e entidades
ambientalistas do mundo todo.
Daniela
Kawakami
De São Paulo
A Petrobras deu início às obras de construção
da estrada no Parque Nacional Yasuní, no Equador.
A rodovia dará acesso ao Bloco 31, área
concedida à Petrobras para exploração
de petróleo e território ancestral dos índios
Huaorani. O Bloco 31 também é uma das áreas
mais preservadas do Parque, que foi nomeado Reserva da
Biosfera pela Unesco. O projeto de exploração
também previa a construção de um
porto no rio Napo, que foi concluído recentemente.
A empresa brasileira agora dá prosseguimento à
construção da estrada de 36 km que já
avança cerca de 500 metros na floresta.
Impactos ambientais
A construção da estrada deveria seguir uma
série de medidas para minimizar os impactos ambientais
decorrentes, como a instalação de postos
de controle, pontes suspensas - que permitiria aos animais
cruzarem a via por cima das copas das árvores -
e uma ponte levadiça sobre o rio Tiputini.
Entretanto, segundo o jornal equatoriano El Comercio,
a construção da ponte levadiça foi
suspensa pelo Ministério do Meio Ambiente equatoriano.
A empresa Congeminpa, contratada pelo ministério
para realizar o monitoramento ambiental do parque, informa
que a Petrobras desrespeitou a licença ambiental
ao permitir a entrada de duas barcaças com maquinaria
pesada no rio Tiputini.
Ainda segundo o jornal, o gerente de país da Petrobras,
Hugo Gianpaoli, afirmou: "Esta atividade foi autorizada,
mas acatamos a disposição do Ministério
até que o incidente seja esclarecido".
Índios Huaorani
Na semana passada, líderes Huaorani se reuniram
com a congressista norte-americana Carolyn Maloney, em
Washington, e pediram seu apoio no pedido de moratória
a qualquer novo projeto de exploração de
petróleo dentro do Parque Yasuní e da Reserva
Huaorani.
A presidente da Associação das Mulheres
Huaorani da Amazônia Equatoriana (AMWAE), Alicia
Cahuiya, afirmou: "Nosso povo tem sido seriamente
prejudicado nos últimos 20 anos pela invasão
da indústria do petróleo em nossas terras.
Nós pedimos a moratória imediata de todos
os novos projetos de petróleo envolvendo o território
Huaorani para que possamos organizar nossas comunidades".
A parlamentar propôs colocar a luta Huaorani e o
pedido de ajuda na pauta do Congresso Americano.
Licença
A licença de exploração de petróleo
no Bloco 31 foi concedida à Petrobrás em
agosto do ano passado pelo agora deposto presidente do
Equador, Lucio Gutierrez, durante visita do presidente
Lula a seu país. Desde então, comunidades
tradicionais, organizações não-governamentais
e cientistas reconhecidos internacionalmente se manifestaram
contra a construção da estrada de acesso
aos locais de perfuração de petróleo.
Com destituição de Gutierrez no mês
passado, o Comitê Equatoriano para a Defesa da Natureza
e do Meio Ambiente (Cednma) propôs ao novo governo
uma moratória de todas as licenças florestais,
de mineração, petróleo e extração
de palmito concedidas pelos governos anteriores de Gutiérrez
e Noboa - o que inclui a licença obtida pela Petrobras
- por um período não inferior a seis meses
para que as concessões fossem investigadas.
Fonte:
http://amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=161116