Elaboração
dos documentos que dirigem as ações dos
municípios vai ser usada pelo governo para estimular
o desenvolvimento sustentável
A
elaboração ou atualização
dos planos diretores municipais, obrigatória para
mais de 2.300 cidades brasileiras, vai ser utilizada pelos
ministérios das Cidades e do Meio Ambiente como
oportunidade para impulsionar a elaboração
das agendas 21 locais — projetos que orientem o desenvolvimento
sustentável das comunidades, de modo a conciliar
crescimento econômico, redução da
pobreza e conservação ambiental.
O Estatuto
da Cidade determina
que os municípios do Brasil com mais de 20 mil
habitantes ou que façam parte de regiões
metropolitanas (cerca de 1.700, ao todo) devem fazer ou
modernizar seu plano diretor até outubro do ano
que vem. A lei estabelece ainda, embora não fixe
prazos, que o documento também deve ser preparado
ou atualizado pelos municípios situados em áreas
turísticas ou afetadas por empreendimentos com
impacto ambiental.
Essa obrigação legal, avalia o governo,
pode servir de incentivo para que as cidades comecem a
elaborar sua própria Agenda
21 local. “A
Agenda 21 local é fundamental para o processo de
elaboração do Plano Diretor Participativo,
funcionando como eixo estruturador de ações
e canal de controle social”, observa a publicação
“A Agenda 21 e os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio:
as oportunidades para o nível local”, lançado
na semana passada pelo Ministério do Meio Ambiente
e pelo PNUD.
Além de poder servir como direcionador dos planos
municipais, a Agenda 21 pode contribuir no processo de
discussão dos principais desafios locais. “A construção
da Agenda 21 reúne diversos grupos sociais para
a mobilização, troca de informações,
geração de consensos em torno das potencialidades
, problemas, soluções, prioridades e meios
de implementação seja a partir de um Estado,
município, bacia hidrográfica, unidade de
conservação, bairro, escola empresa etc.”,
salienta o estudo.
Uma das condições para a elaboração
dos planos diretores é a participação
de toda a população local de forma democrática.
A metodologia de criação das Agendas 21
locais leva em conta esse princípio: ela prevê
inicialmente a sensibilização da comunidade,
a criação de um fórum local e a elaboração
de um diagnóstico. Esse processo, segundo o estudo,
pode ser o caminho para a mobilização da
sociedade para incluir no plano diretor as ações
que precisam ser feitas.
Na avaliação dos organizadores da Agenda
21 no Brasil, para uma comunidade poder organizar seu
crescimento ela precisa levar em conta os aspectos do
desenvolvimento sustentável. “Não pode haver
desenvolvimento enquanto houver iniqüidades sociais
crônicas no nosso país e se as formas de
uso dos recursos ambientais no presente comprometerem
os níveis de bem-estar das gerações
futuras”, comenta o texto.
FONTE:
http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=1244&lay=mam