O
deputado Mendes Thame almoçou, na quinta-feira
passada, em Brasília, com os diretores do Banco
de Cooperação Internacional do Japão
(JBIC) que estão no Brasil para iniciar estudos
sobre acordo de financiamento à pesquisa e produção
de biocombustível. Segundo Thame, o vice-diretor
do Departamento de Desenvolvimento do JBIC, Toshitaka
Takeuchi, sinalizou que são amplas as possibilidades
de o Brasil vir a ser um grande fornecedor de biocombustíveis
ao Japão, especialmente do álcool anidro.
“O
acordo, que envolve o Ministério da Agricultura,
pretende justamente determinar o volume de investimentos
que o Japão terá de realizar no Brasil,
para garantir o fornecimento de combustível renovável
ao mercado japonês”, explicou Thame, acrescentando
que, “segundo Takeuchi, ainda existem resquícios
da preocupação com a capacidade do Brasil
em cumprir um contrato de grande porte e por longo prazo,
isto devido às dificuldades no passado com o fornecimento
de álcool e ausência de estoques reguladores”.
Como fator favorável, os japoneses consideraram
muito “exitosa” a viagem recente de representantes da
Única, entidade de congrega produtores de álcool,
ao Japão, quando muitas das dúvidas existentes
foram dirimidas”. Além disso, Thame, que é
amigo pessoal de Takeuchi, lembrou a ele que o Brasil
tem sido um fornecedor habitual de minérios e açúcar,
ao Japão, cumprindo rigorosamente os compromissos
assumidos; “tradição que sem dúvida
irá honrar também como fornecedor de biocombustíveis,
desde que haja contratos de longo prazo, prevendo e dispondo
condições de interesse mútuo, acordadas
entre as partes”.
O
deputado Thame mantém contatos com o JBIC, notadamente
com dr. Takeuchi, desde quando, como secretário
de Recursos Hídricos, Saneamento e Obras do Estado,
negociou o financiamento para a 2ª etapa do aprofundamento
da calha do rio Tietê, conseguindo reduzir o valor
orçado das obras, o que possibilitou ao Estado
executar o dobro dos serviços previstos inicialmente,
fato que valorizou o desempenho do Governo do Estado de
São Paulo junto ao banco.
Thame
lembrou que, no passado, os japoneses investiram US$ 570
milhões no cultivo de soja no cerrado, auxiliando
a projetar o Brasil como grande produtor mundial do produto.
“Agora, ainda segundo o deputado, o Japão demonstra
estar disposto a financiar áreas plantadas de cana-de-açúcar,
a construção ou ampliação
de usinas, aumentar a capacidade de estocagem do álcool,
que é o produto preferencial dos japoneses por
reduzir a poluição atmosférica. Somente
a mistura de 3% de álcool (etanol) como aditivo
à gasolina implicará a necessidade de fornecimento
de 1,8 bilhões de litros/ano do produto”, explicou.
Para
o deputado, a participação do Japão
é importantíssima para auxiliar também
na implantação do programa de biocombustíveis,
que tem pólo de pesquisa e desenvolvimento na Escola
Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), em Piracicaba.
Trata-se de projeto importante, não só para
o Brasil (geração de renda e empregos),
mas para o mundo, que está cada vez mais preocupado
com o aquecimento da Terra (efeito estufa) provocado pelo
crescente uso de combustíveis fósseis.
Para
realizar os estudos do volume de investimentos necessários
para garantir os contratos de fornecimento de álcool
e biodiesel a longo prazo para o Japão, o JBIC
contratou a empresa Pacific Consulting.
Hoje, o banco tem ativos de 100 bilhões, e a carteira
de empréstimos para o Brasil é de US 8 bilhões.
FONTE:
http://www.boletimpecuario.com.br/noticias/noticia.php?noticia=not5531.boletimpecuario