Gisele
Teixeira
O principal desafio da 8ª Reunião das Partes
da Convenção sobre Diversidade Biológica
(COP-8), que se realiza de 20 a 31 de março deste
ano, em Curitiba, é "sacudir" os países
para a necessidade de acelerar a reversão da destruição
da fauna e flora do Planeta, antes que seja tarde demais.
A afirmação é do gerente de Conservação
de Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente,
Bráulio Ferreira de Souza Dias. "Estamos em
meio a um processo de extinção em massa
da biodiversidade sem precedentes nos tempos recentes,
e semelhante apenas ao que ocorreu há 65 milhões
de anos, quando os dinossauros foram varridos da face
da terra", adverte.
Segundo ele, as taxas de extinção no mundo
e no Brasil estão de cem a mil vezes acima do patamar
aceitável. Bráulio explica que a extinção
é um fenômeno natural, mas as taxas atuais,
em função das atividades humanas e pressões
diretas, como exploração predatória,
conversão de florestas em pastos, ou indiretas,
a exemplo do efeito estufa, correm em um ritmo sem precedentes,
desde a catástrofe que dizimou três quartos
da vida na terra. Ele acrescenta que algumas ilhas de
biodiversidade estão sendo salvas, mas que mesmo
estas correm o risco de desaparecer em função
de seu isolamento.
O mais grave nesse quadro, de acordo com Bráulio,
é que a maioria da população e dos
governos não se dá conta da gravidade da
situação, principalmente por não
entender o quanto o mundo depende da biodiversidade. "Não
se trata apenas da perda de espécies, mas também
da variabilidade genética, da qual depende metade
do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, com o agronegócio,
setor de florestas, de pesca, ecoturismo, entre outros,
e ainda da redução dos serviços ambientais,
como oferta de água", destaca.
O especialista acrescenta que os relatórios da
Avaliação Ecossistêmica do Milênio,
encomendados pela Organização das Nações
Unidas (ONU) para mais de 1.300 pesquisadores, e divulgados
em 2005, mostram que nunca se perdeu tantos ecossistemas
e biodiversidade como nos últimos 50 anos. "Infelizmente,
o cenário futuro é desanimador. Com a melhor
das boas intenções, vamos perder ainda mais
nas próximas cinco décadas", prevê.
Esta perda será sentida de forma diferente por
países pobres e ricos. "Quem tem dinheiro
e tecnologia, sempre encontra soluções.
Mas as nações menos favorecidas não
terão saída", alerta.
Para mudar este cenário, uma das alternativas é
mobilizar governos e sociedade para a necessidade de um
esforço extra. "Se saírmos com este
compromisso da COP-8 já será um grande avanço",
diz Bráulio. Segundo ele, isso envolveria "mais
gente, mais dinheiro, mais capacitação e
mais envolvimento". Além disso, é preciso,
segundo ele, de que o tema biodiversidade saia do grotão
ambiental e acadêmico e seja internalizado em outros
setores. "Essa é uma maneira de conseguirmos,
no campo, os avanços que estamos tendo na área
institucional e política", acrescenta. Embora
os números não sejam animadores , Braúlio
faz questão de ressaltar que houve melhoras nas
áreas de planejamento, marco legal, programas de
captação de recursos e criação
de unidades de conservação, por exemplo.
ASCOM
FONTE:
http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=2266