O
diretor-presidente da Fundação Zoológico
de São Paulo, Paulo Magalhães Bressan, disse
nesta quarta-feira, em audiência pública
na comissão externa que acompanha as investigações
sobre o envenenamento de animais no zôo paulista,
que os casos são difíceis de serem resolvidos
porque dependem de denúncias e flagrantes. "Hoje,
a questão está mais na esfera policial.
A ação criminosa é difícil
de investigar pelo fato de não conseguir a materialidade
da prova já que o veneno é consumido e desaparece",
avaliou. Bressan reconheceu que a demora é desconfortável
para a instituição, mas ressaltou que a
investigação deve ser a mais precisa possível
para evitar injustiças.
O diretor-técnico científico do zoológico
de São Paulo, José Luiz Catão Dias,
também presente na audiência, explicou a
cronologia da intoxicação de animais com
o raticida fluoracetato no zôo paulista. As mortes
começaram em 24 de janeiro deste ano e a primeira
vítima foi um chimpanzé macho. Ao todo,
já foram confirmadas as mortes de 73 animais por
envenenamento, entre eles, porcos-espinhos, micos-leões-dourados
e chimpanzés. A última morte registrada
foi no dia 13 de março.
Veneno letal
O uso do fluoracetato de sódio é proibido
no País. Essa substância, altamente letal,
é usada em raticidas e não tem antídoto
conhecido. Apenas um grama do veneno pode matar 50 cães
de 20 quilos. As investigação das mortes
no zôo paulista está sendo conduzida pela
Polícia Civil de São Paulo e acompanhada
por uma comissão externa da Câmara. Paulo
Bressan explicou que os laudos estão sendo encaminhados
para o inquérito. "A investigação
vai permitir à polícia estabelecer suspeitos
e depois indiciá-los para levá-los à
Justiça", afirmou o diretor-presidente, lembrando
que ainda há 15 laudos pendentes de resultado da
necrópsia.
Bressan afirmou que a reposição dos animais
assassinados será feita por meio de trocas com
outras instituições e doações.
Segundo ele, o zôo paulista não fará
a reposição com animais retirados da natureza.
Ele destacou que as atividade no zoológico já
foram normalizadas e que houve um reforço na segurança
do acesso aos animais. No final da audiência, o
coordenador da comissão, deputado Marcelo Ortiz
(PV-SP), lembrou que a mobilização dos poderes
públicos resultou na paralização
das mortes.
Reportagem - Daniel Cruz
Edição - Malena Rehbein
(Reprodução autorizada mediante citação
da Agência)
FONTE:
Agência Câmara [19/5/2004 20h05]
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