Mariana
Timóteo da Costa
As
discussões sobre o que fazer após a expiração
do Protocolo de Kyoto receberam uma intervenção
do Brasil nesta terça-feira, durante a conferência
da ONU sobre as mudanças climáticas que
acontece em Bonn, na Alemanha.
Representantes de mais de 150 países reunidos na
Alemanha discutem o que fazer quando o protocolo, que
prevê a contenção das emissões
de gases poluentes para conter o aquecimento global, expirar
em 2012.
A delegação do Brasil foi categórica:
"Não defendemos um pós-Kyoto, mas sim
um pós-2012 que daria continuidade ao protocolo,
com mais ênfase na ajuda aos países em desenvolvimento
na criação de fontes de energia mais limpas",
disse à BBC Brasil o chefe da comissão brasileira
na conferência, André Corrêia do Lago.
Segundo Corrêia do Lago, alguns países vêm
defendendo em Bonn um "pós-Kyoto", um
protocolo diferente para controlar as mudanças
climáticas. Mas, para o Brasil, isso representaria
um retrocesso.
"Kyoto demorou tanto para sair do papel (apenas este
ano) e é um bom mecanismo. Começar do zero
em 2012, apesar de atender ao interesse de alguns países,
não interessa ao Brasil", afirmou o chefe
da delegação brasileira.
Ele não quis comentar que países são
esses, mas deu a entender que lobbies são fortes
neste tipo de negociação, já que
a contenção da queima de combustíveis
fósseis como o petróleo vai contra "interesses
de muita gente importante".
Apesar das divergências relacionadas às políticas
de controle do clima, o representante brasileiro afirma
que o clima desta conferência, que acontece em Bonn
até o dia 27, está melhor do que o das anteriores
sobre o tema.
"Não há mais a pressão por Kyoto,
nem as críticas ferrenhas aos americanos (que não
aderiram ao protocolo). Os próprios Estados Unidos,
que participam do encontro, vêm dando contribuições
interessantes, especialmente no ramo tecnológico",
disse.
Segundo Lago, dentro de alguns anos poderá-se ver,
por exemplo, novas formas de "purificação"
do petróleo e do carvão, para que eles não
prejudiquem tanto o clima.
Mecanismo
Em relação ao Brasil, o país defende,
além da manutenção de Kyoto, maiores
investimentos no chamado Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo (MDL), incluído no protocolo a pedido do
Brasil.
O mecanismo é um instrumento de incentivo financeiro
para o abatimento da emissão e seqüestro de
gases estufa (principalmente CO2).
Ao investirem em tecnologia limpa nos países em
desenvolvimento, os ricos abatem as suas emissões
de C02 previstas no protocolo.
"O Brasil já vem se beneficiando do MDL, com
um investimento estrangeiro na construção
de aterros sanitários em Nova Iguaçu (RJ).
Podemos nos beneficiar mais. Mas como o MDL está
vinculado a Kyoto, precisamos de um segundo cumprimento
do acordo", explicou Corrêia do Lago.
Matéria
relacionada:
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propõe extensão para o Protocolo de Kyoto
Fonte:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/05/050517_clima2mtc.shtml