O
uso de materiais como forros longa vida e bambus, além
de questões relativas a agrovilas e comunidades
auto-sustentáveis, foi o tema do Curso Eco-Arquitetura
realizado nesta quinta-feira (19/8) pela Secretaria do
Meio Ambiente do Estado – SMA. O evento tratou ainda de
questões como construção de aquecedores
solares de baixo custo e sistemas de saneamento e captação
de águas pluviais em habitações sustentáveis.
O
curso foi organizado pela Coordenadoria de Planejamento
Estratégico e Educação Ambiental
- CPLEA, órgão da SMA. No período
da manhã, o presidente do Instituto de Permacultura
e Ecovilas da Mata Atlântica – IPEMA -, Marcelo
Bueno, que falou sobre aquecimento solar de água
de baixo custo e fácil instalação.
O sistema de aquecimento utiliza um tambor metálico
de 200 litros pintado com tinta preta fosca, manta metálica
para servir de refletor e tubo de polietileno para a condução
da água.
A secretária executiva do IPEMA, Cristina Reis,
engenheira florestal, definiu a permacultura como a ciência
que trata plantas, animais, construções
e infra-estrutura (água, energia, comunicações),
não apenas como elementos isolados, mas como parte
de um grande sistema intrinsecamente relacionado.
Johan
Van Lengen, bio-arquiteto e presidente da Tecnologia Intutiva
e Bio-Arquitetura – TIBÁ, participou do curso trazendo
entre outros assuntos, o seu livro “Manual do Arquiteto
Descalço”. Ainda na parte da manhã, Roberta
Consentino Kronka Mulfarth, do Núcleo de Tecnologia
Arquitetura e Urbanismo – NUTAU, das USP, mostrou as formas
de uso de materiais sustentáveis, ressaltando que
o crescimento das cidades em países desenvolvidos
tem se dado de maneira acelerada, aumentando o nível
de pobreza e o número de favelas. No Brasil, em
1975, a população da cidade era de 51%,
e a projeção para 2025 é de 89%.
O
período da tarde contou com a palestra de Luis
Otto Faber Schmutzler, engenheiro civil e industrial e
pesquisador da UNICAMP. O palestrante apresentou o Projeto
“Forro Vida Longa”, que seria o aproveitamento das propriedades
do alumínio contido nas embalagens de produtos
denominados “longa vida”, como caixinhas de leite e suco,
que proporciona conforto térmico e saúde
para a população de baixa renda.
Segundo
o engenheiro, a utilização dessas embalagens
reduz a quantidade de material não-reciclável
e não-biodegradável em lixões e aterros
sanitário. As caixinhas de leite e suco possuem
uma camada de alumínio de 35 micra de espessura,
constituindo uma barreira eficiente contra vírus,
luz e ar. O alumínio polido tem grande capacidade
de refletir os raios infra-vermelhos podendo ser utilizado
subcobertura, proporcionando conforto térmico às
habitações.
As
caixas podem ser utilizadas, também, na fabricação
de persianas ou cortinas. O palestrante explicou que esse
material pode ser utilizado em construções
precárias, cobertas com telhas de fibrocimento
ou de cerâmica. Finalizando a sua apresentação,
o engenheiro mostrou como se confecciona as mantas de
cobertura feitas com embalagens de produtos denominados
“longa vida”.
Primeiramente,
as caixas são abertas e lavadas, procedendo à
desinfecção com detergente e água
sanitária. Para confeccionar as mantas é
necessário juntar as caixas com colas, adesivos
a quente ou soldadas com o ferro de passar roupa elétrico
ou à carvão. Deve se ter o cuidado de não
encostar a manta na telha quente mantendo uma distância
de no mínimo 2 cm, mantendo a face com o alumínio
voltada para baixo.
Marcelo
Precopi, engenheiro florestal do Centro Ecológico
Flora Guimarães Guidotti, apresentou um aquecedor
solar de água de baixo custo e fácil instalação.
O palestrante salientou que o equipamento funciona de
maneira integrada entre o coletor e o reservatório.
Para a sua construção é necessário
um tambor galvanizado pintado com tinta preta fosca, um
cavalete, uma manta de alumínio, plástico
de estufa, mangueira de polietileno e conexões
hidrálicas.
O
engenheiro informou que mais informações
podem ser obtidas no site www.ciagri.usp.br/~solaris.
Para Precopi, é grande o número de pessoas
que desconhecem as aplicações e as vantagens
da utilização da energia solar. Isso se
deve à dificuldade de acesso a essas tecnologias.
FONTE: http://www.ambiente.sp.gov.br/destaque/2004/agosto/19_curso.htm