O
estudo brasileiro foi premiado na categoria Tecnologias
para novos desenvolvimentos em uma sociedade sustentável,
no Global 100 Eco-Tech Awards
O
trabalho conjunto do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
(Inpe/MCT) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente
e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama/MMA)
para monitoramento operacional de queimadas e incêndios
florestais, por meio de imagens de satélites, foi
premiado no Global 100 Eco-Tech Awards, na Feira Mundial
que se realiza em Nagoya, Japão.
O
estudo foi premiado na categoria Tecnologias para novos
desenvolvimentos em uma sociedade sustentável e,
além do monitoramento, também faz estimativas
de risco de fogo da vegetação e do transporte
das emissões na atmosfera.
O
valor do prêmio é de um milhão de
Yens, cerca de R$ 21 mil, proporcionado pela Nihon Keizai
Shimbum, Inc. A cerimônia de entrega será
no dia 1º de setembro, no Castelo de Nagoya.
O
diretor interino do Inpe, Leonel Perondi, considera este
trabalho como excelente exemplo do uso integrado das novas
tecnologias, "em particular a de satélites,
na compreensão e solução de problemas
nacionais, destacando a cooperação ímpar
efetiva de muitos anos entre o MCT e do Ministério
do Meio Ambiente".
O
presidente do Ibama, Marcus Barros, também comemorou
a premiação. "É o reconhecimento
internacional que o Brasil está utilizando tecnologia
de ponta, que permite o monitoramento do desmatamento
e das queimadas por parte das agências de governo,
comunidade científica e organizações
ambientais e de toda a sociedade", disse.
"Esse
é um dos trabalhos mais importantes que fazemos.
Trata-se de um sistema de ponta, a cada dia incrementado,
para que possa ser mais útil para a educação
ambiental e prevenção de incêndios,
e operacional para os agentes de fiscalização
e para o homem do campo que faz a queima controlada",
completa João Raposo, gerente de monitoramento
e avaliação de risco do Proarco - Programa
de Prevenção e Controle de Queimadas e Incêndios
Florestais na Amazônia Legal, do Ibama.
De
acordo com o gerente, "a transparência é
a marca maior do sistema de monitoramento". As coordenadas
geográficas dos focos são divulgadas a usuários
especiais imediatamente após a recepção
e processamento das imagens. O público em geral
tem acesso aos dados algumas horas depois por meio da
Internet, com um sistema de informações
geográficas montado para queimadas, e com opção
para unidades de conservação.
Para
Alberto Setzer, idealizador e responsável no Inpe
pelo trabalho premiado, a expectativa é que o prêmio
contribua para o uso mais efetivo dos dados gerados e
que permita a continuidade dos novos desenvolvimentos.
O
projeto
Dados
coletados pelo Inpe apontam que as queimadas no país
representam a maior contribuição brasileira
para o chamado "efeito estufa".
Assim,
pra combater esse quadro, as iniciativas de monitoramento
por satélite e fiscalização florestal
foram intensificadas já na década de 1980.
O resultado desse esforço conjunto é que,
atualmente, boletins diários com dados sobre reflorestamento
e queimadas são enviados por e-mail a usuários
cadastrados.
Mapas
diários de previsão de risco de fogo para
quatro dias e mapas semanais para até um mês
são gerados pelos modelos de previsão numérica
de tempo. Modelos também calculam as trajetórias
das emissões das queimadas, o que permite prever
em quais regiões a poluição atmosférica
resultante será intensa.
Oito
vezes por dia as unidades federais de conservação
recebem informação sobre os focos de calor
e potenciais incêndios florestais. Dezenas de produtos
estão disponíveis para os usuários,
e o trabalho foi também estendido para países
vizinhos: Bolívia, Paraguai, Peru e Venezuela.
Todas
as técnicas envolvidas neste processo foram desenvolvidas
no Inpe, incluindo métodos de detecção
de focos com satélites, sistemas de informação
geográfica, modelos de risco de fogo, entre outras.
Os dados e produtos são distribuídos ao
público sem custos, e os usuários incluem
instituições governamentais federais, estaduais
e municipais, empresas, ONGs diversas, e cidadãos
comuns.
Premiação
O
prêmio Global 100 Eco-Tech foi criado pela Associação
Japonesa para a EXPO-2005 como forma de reconhecimento
das 100 tecnologias ambientais que mais contribuíram
na solução de problemas globais e para a
criação de um futuro sustentável.
Os
trabalhos que concorreram foram selecionados de acordo
com suas contribuições para a solução
de problemas ambientais globais e também com a
universalidade das propostas, que devem poder ser utilizadas
por diferentes sociedades.
Veja
o monitoramento de queimadas em:
http://www.cptec.inpe.br/queimadas
http://www.dpi.inpe.br/proarco/bdqueimadas
http://www2.ibama.gov.br/proarco/relatorio/boletins.htm
(Assessoria de comunicação do Inpe)
FONTE:
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=30751